Não foi sobre anistia. Foi sobre provocar a revolta dos bolsonaristas

Golpe mata!

atualizado

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Danilo M. Yoshioka/Especial Metrópoles
Imagens coloridas mostram ex-presidente Jair Bolsonaro no meio de apoiadores com camisa amarela da seleção brasileira de futebol
1 de 1 Imagens coloridas mostram ex-presidente Jair Bolsonaro no meio de apoiadores com camisa amarela da seleção brasileira de futebol - Foto: Danilo M. Yoshioka/Especial Metrópoles

Em Paris, a líder da ultradireita Marine Le Pen disse neste domingo (6) que vai se inspirar no pastor Martin Luther King Jr., assassinado em 1968 por lutar contra a segregação racial nos Estados Unidos, para enfrentar a Justiça que a tornou inelegível por cinco anos.

Há quase uma semana, Le Pen foi condenada por desviar fundos do Parlamento Europeu para o caixa de seu partido, a Reunião Nacional (RN), e impedida de concorrer a cargos públicos – medida que entrou em vigor imediatamente apesar de ainda ser passível de recursos.

Na Avenida Paulista, o líder da ultradireita Jair Bolsonaro disse que “algo o avisou”, porque se ele estivesse no Brasil no dia do golpe de 8 de janeiro de 2023, “teria sido preso e estaria apodrecendo até hoje ou até assassinado”.  Bolsonaro e Le Pen são dois contraventores.

Le Pen ainda tem chances de disputar a presidência da França em 2027. Bolsonaro, inelegível até 2030, não tem, de vez que foi condenado duas vezes pelo Tribunal Superior Eleitoral. Em breve, o Supremo Tribunal Federal o condenará por golpe de Estado.

É remota a possibilidade de Le Pen ser presa. A de Bolsonaro é mais do que certa, a não ser que fuja. Há poucos dias, ele admitiu que conversou com chefes militares sobre a adoção de medidas de exceção que impediriam a posse do presidente eleito, Lula.

Bolsonaro sabe melhor do que ninguém que o Congresso não aprovará a anistia que o beneficiaria. E que se a aprovasse, ela seria barrada pelo Supremo por ferir a Constituição. Só lhe resta, pois, estimular seus seguidores à revolta caso ele seja preso.

O pastor Silas Malafaia, um dos promotores do comício na Avenida Paulista, disse aos manifestantes:

“Se os senhores [ministros do STF] prenderem Bolsonaro, o que pode acontecer no Brasil? Pode não acontecer nada, ou pode acontecer tudo!”

O que seria “acontecer tudo”? Baderna, estradas bloqueadas por caminhoneiros, acampamentos à porta de quarteis, invasões de prédios públicos, milhares de pessoas a clamarem por um golpe? Esse filme já passou, e no fim os bandidos morrem.

De resto, segundo pesquisa da Quaest, a maior parte dos brasileiros (49%) acredita que Bolsonaro participou de uma tentativa de golpe, contra 36% que não acreditam; e 52% concordam que o Supremo Tribunal foi justo ao tornar Bolsonaro réu no inquérito do golpe.

Patética a cena de Bolsonaro ao tentar ler em inglês uma mensagem dirigida ao mundo. Bolsonaro sugeriu que a perseguição a ele é parte de uma conspiração internacional contra a direita, e citou Le Pen, os processos contra Trump e a oposição venezuelana.

Bolsonaro criou o bordão que espera ver repetido por todos os seus asseclas:

“O que os canalhas querem é me matar!”

Fazia parte do golpe que Bolsonaro quis aplicar o assassinato de Lula, do vice Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes. Esqueci algum nome?

Baderna não é golpe, em alguns casos é crime. Tentativa de golpe é crime, como tentativa de homicídio também é.

Golpe mata. Mata a democracia. Mata e tortura pessoas. Enterra sonhos de gerações inteiras.

 

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