Lambança do PSB fará Lula cancelar nomeação de ministro

A política do jeitinho que ela é

atualizado

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LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
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1 de 1 lula-posse-guimaraes - Foto: LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

Era uma vez um ministro de Estado nomeado por engano. Para ser exato: que muitos no entorno de Lula dizem ter sido nomeado por engano,  e que agora será desnomeado. Culpa de quem?

Do partido do ministro, o PSB, presidido por João Campos, prefeito do Recife e candidato ao governo de Pernambuco. Por sinal, o ministro é casado com a irmã de Campos. Que lambança!

Tadeu Alencar, ex-deputado, era secretário-executivo do Ministério do Empreendedorismo. O ministro, Márcio França (PSB-SP), deixou o ministério para se candidatar às próximas eleições.

Lula decidiu que todo ministro de saída do governo seria substituído pelo secretário-executivo. Assim, os trabalhos no ministério não sofrerão descontinuidade. Fazia todo sentido.

Ocorre que Márcio França tinha outro candidato à sua vaga: Maurício Juvenal, secretário nacional de Ambiente de Negócios. E João Campos outro: Paulo Henrique Pereira, do PSB de São Paulo.

Paulo Henrique Pereira, professor de Direito,  foi secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável e secretário nacional do Consumidor no governo Lula.

O que fez João Campos? Procurou Tadeu Alencar. Quis saber se ele toparia continuar como secretário-executivo do ministério caso Paulo Henrique Pereira sucedesse a Márcio França.

Ouviu de Tadeu: “Tudo bem. Faça o que for melhor para o PSB”.

No último dia 3, o Diário da União publicou a relação dos novos ministros. E para surpresa de Tadeu, lá estava o nome dele como ministro do Empreendedorismo.

Tadeu telefonou para João Campos e agradeceu a nomeação. João Campos lhe disse: “Espere aí, deve ter sido um engano”. Mas como seria um engano se a nomeação fora assinada por Lula?

Na condição de ministro, Tadeu chegou a se reunir com Lula e os demais colegas no Palácio do Planalto. Lula saudou cada um deles. Na vez de Tadeu, comentou: “Gosto muito de você”.

Lula teve o cuidado de perguntar antes a Márcio França se ele tinha alguma coisa contra Tadeu.  Márcio França respondeu que de jeito nenhum.

Aí começaram a sair notinhas em colunas de jornais e em sites lembrando que Tadeu votou a favor do impeachment de Dilma. Qual é? Paulo Henrique Pereira, à época, foi também a favor.

Nesta semana, João Campos perguntou a Tadeu se ele aceitaria ser alocado em outro ministério. “Para qual lugar: Vão me dar um enterro de luxo? Prefiro ir para casa”, Tadeu respondeu.

Geraldo Alckmin (PSB-SP), o vice-presidente, fez questão de visitar Tadeu no seu local de trabalho e lhe ofereceu uma diretoria da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial.

Tadeu segue calado. Paulo Henrique Pereira será mesmo ministro do Empreendedorismo – salvo mudança de rota. Tudo é possível. Nada é particularidade deste governo. É a política como ela é.

 

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