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Flávio Bolsonaro derrete, mas a direita se recusa a atacá-lo

Com exceção de Renan Santos, candidatos nanicos se comportam como aliados, apostando no acaso em um país onde tudo parece possível

Ricardo Noblat11/06/2026 05:30, atualizado 11/06/2026 02:59
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Divulgação/Grupo Voto
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL)

Em meio à enxurrada de más notícias despejadas nos ombros de Flávio Bolsonaro pela nova pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem, o candidato do papai à Presidência da República pode encontrar pelo menos uma boa: seus concorrentes à direita continuam sem o ameaçar, mantendo insignificantes percentuais de intenção de voto. É motivo para celebrar? No caso dele, em declínio contínuo, sim. O pior dos mundos seria se um deles desse mostras de que poderia ultrapassá-lo. Mas não, eles seguem patinando.

Na simulação de primeiro turno, Lula aparece com 39%, Flávio com 29%, Ronaldo Caiado com 3%, Renan Santos com 3%, Aécio Neves com 2% e Romeu Zema com 2%. Os demais não pontuam. O que Aécio, do moribundo PSDB, faz nessa lista? Dos candidatos nanicos, Renan, do Missão, parece o mais promissor. Ele é o único a bater em Flávio sem piedade, por entender que só crescerá tomando os votos dele. Os outros também sabem que o caminho é por aí, mas se comportam como aliados de Flávio.

Talvez apostem numa desistência futura do primogênito do primeiro ex-presidente do Brasil condenado e preso por tentativa de golpe de Estado. Não haverá desistência, salvo se Flávio for soterrado por uma avalanche de denúncias inescapáveis. Talvez apostem numa surpresa produzida pelo acaso, o que não deve ser descartado. No país da jabuticaba, tudo é possível. Onde já se viu um presidente eleito (Tancredo Neves) morrer sem tomar posse depois de ser operado sete vezes? Bem, Jânio Quadros governou o Brasil por seis meses e renunciou ao cargo pensando em voltar mais forte nos braços do povo. Não voltou.

Em um dos cenários de segundo turno, a Quaest indicou Lula com 44% (+2) e Flávio com 38% (-3). Votos brancos e nulos somam 14%, enquanto os indecisos são 4%. A aprovação do governo Lula saltou de 43% para 46% e a desaprovação caiu de 52% para 49% em um mês. O saldo negativo, que era de menos nove pontos percentuais, agora é de menos três. Entre os eleitores chamados independentes — aqueles que definirão a sorte da eleição —, Lula derrota Flávio no segundo turno por uma diferença de 13 pontos (37% a 24%).

A grande maioria dos brasileiros acredita que Flávio errou ao pedir a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, financiamento para o filme sobre seu pai. Para 58% dos eleitores, Flávio pode estar escondendo envolvimento ilegal no caso Master, enquanto 27% dizem acreditar que ele não está envolvido no maior escândalo financeiro da história do país. Além disso, o percentual dos que consideram Flávio mais moderado do que seu pai caiu de 39% em maio para 33% em junho.

Embora 60% dos brasileiros defendam que o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) devam ser tratados como terroristas, a sociedade se divide sobre tal classificação ser feita pelo governo americano. Quanto ao tarifaço de Trump, ele é visto como uma retaliação americana contra o PIX. Em resumo: a pesquisa Quaest veio pior para Flávio Bolsonaro do que a pesquisa AtlasIntel, retirada do ar por ordem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Basta ou querem mais? Só  falta a eleição acabar no primeiro turno.

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