Bolsonaro foi dormir depois de receber uma notícia boa e outra má

Tendo entrado na política por acaso, segundo diz para enganar os tolos, ele não pretende sair tão cedo

atualizado

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Arte/Metrópoles
Bolsonaro e Lula
1 de 1 Bolsonaro e Lula - Foto: Arte/Metrópoles

A nova pesquisa de intenções de voto do Datafolha trouxe uma notícia boa e outra má para Bolsonaro. A boa: ele não caiu, apesar do aumento no preço dos combustíveis, do assassinato na Amazônia de um indigenista e de um jornalista inglês, e da guerra que trava com a Justiça Eleitoral.

A notícia má: ele não cresceu. Se na pesquisa anterior, de maio último, Lula tinha 21 pontos percentuais à frente dele, agora tem 19. Lula perdeu um ponto, Bolsonaro ganhou um. A alteração está dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos.

A exatos 100 dias do primeiro turno em 2º de outubro, o cenário, pois, é de estabilidade. Um não sobe e o outro não cai. Bolsonaro joga contra o relógio, Lula, a favor, administrando o tempo.

Por enquanto, Bolsonaro não ameaça Lula, mas também não é ameaçado por nenhum dos demais candidatos. Ciro Gomes (PDT) marca 10%, e Simone Tebet (MDB) recuou de 2% para 1%. A chamada terceira via está dando adeus às eleições.

Votos válidos são aqueles que excluem, no cômputo geral, os brancos e nulos. É a métrica utilizada pela justiça para anunciar o resultado das eleições. Lula tem 53% dos votos válidos. Significa que se a eleição ocorresse hoje ele venceria no primeiro turno.

Se houvesse segundo turno, segundo o Datafolha, Lula, hoje, derrotaria Bolsonaro por 57% a 34% no total dos votos, e os brancos e nulos somariam 9%.

A rejeição de Bolsonaro é 20 pontos percentuais maior do que a de Lula (55% a 35%). Quer dizer: sua capacidade de melhorar a imagem é mais complicada. 96% dos brasileiros sabem quem é Bolsonaro, e 98% quem é Lula.

Bolsonaro é mais rejeitado por desempregados (66% nunca votariam nele), pretos (63%), nordestinos (62%), estudantes (62%), mulheres (61%), católicos (61%), jovens (60%) e os mais pobres (60%).

Lula é mais rejeitado por empresários (61%), ricos (57% entre quem ganha de 5 a 10 mínimos e 52% entre quem tem renda acima de 10 mínimos), pessoas com nível superior (46%), evangélicos (46%), espíritas (46%), moradores do Centro-Oeste (43%) e homens (41%).

Presidente candidato à reeleição costuma ser julgado pelo que fez; seus adversários, pelo que prometem fazer. A deste ano, porém, será a primeira eleição que reúne um presidente e um ex. Lula será julgado pelo que fez em dois mandatos, mais do que pelas promessas que venha a fazer.

Ciro Nogueira (PP-PI), chefe da Casa Civil da presidência da República, dizia que até final deste mês ou meados de julho, Bolsonaro ultrapassaria Lula nas pesquisas. Vem por aí mais um pacote de bondades do governo para tentar que a ultrapassagem se dê lá pelo final de agosto, talvez.

É Bolsonaro que precisa libertar-se da camisa de força que o aprisiona. Lula só crescerá se eleitores de Ciro, diante de uma possível derrota do seu candidato, preferirem abandoná-lo. De cada 10, 4 se dizem dispostos a fazer isso, votando em Lula.

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