Bolsonaro espera ser apontado em breve como o pai dos pobres

Auxílio emergencial deverá ser prorrogado para deter a sangria de votos que assusta o presidente Jair Bolsonaro e ameaça sua reeleição

atualizado 22/05/2021 15:05

presidente jair bolsonaro durante lançamento do Programa Gigantes do Asfalto no palácio do Planalto Igo Estrela/ Metrópoles

Move-se o governo federal para prorrogar de novo o auxílio emergencial, de vez que a pandemia da Covid-19 dá sinais de que vai recrudescer. Boletim divulgado, nessa sexta-feira (21/5), pela Fundação Oswaldo Cruz mostra que em oito dos 26 estados aumenta o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave.

Doze estados apresentam reversão de tendências de queda ou têm estabilização em patamares muito altos. Outro dado que preocupa cientistas e médicos: pela primeira vez no Brasil, a média da idade de internações em UTIs está abaixo dos 60 anos. Para completar, a taxa de isolamento social nunca foi tão baixa, este ano.

O governo não se converteu à causa dos brasileiros mais pobres. A questão é que a popularidade do presidente Jair Bolsonaro derrete e tudo deve ser feito para que ele chegue vivo à eleição do ano que vem. Há um ano, dava-se como certa sua reeleição. Agora, que ele corre o risco de ficar de fora de um eventual segundo turno.

Não é mais amarela a luz acesa no terceiro andar do Palácio do Planalto onde cada vez menos Bolsonaro trabalha; dá preferência em zanzar sem máscara pelo país e a promover aglomerações. Esteve, anteontem, em Açailândia, interior do Maranhão, para a entrega de 180 títulos de terra. Foi autuado por infração sanitária.

Para salvar-se de um pedido de impeachment, Bolsonaro comprou votos de deputados e senadores e aliou-se ao Centrão, bloco de partidos fisiológicos que ele dizia renegar. Criou até um orçamento secreto para beneficiar sua tropa no Congresso com obras em seus redutos eleitorais. Por ora, a tropa mantém-se unida.

Para salvar-se de uma derrota humilhante no próximo ano, quer convencer no papel de pai dos pobres que antes coube a Getúlio Vargas, o presidente que se matou com um tiro no peito, e a Lula que saiu do governo com 82% de aprovação, elegeu e reelegeu Dilma, foi preso, solto e está de volta como candidato.

O programa Bolsa Família socorre 15 milhões de famílias. O auxílio emergencial, em versão reduzida, 39 milhões. O valor do auxílio é de 250 reais por mês, o da Bolsa, 190 reais. O governo tinha a intenção de mudar o nome do programa Bolsa Família e inflar o valor pago por ele. Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo.

Já não basta distribuir cestas básicas, como faz, nem lançar pedras fundamentais de obras que se arrastarão por anos para serem concluídas, se forem um dia, nem reinaugurar obras que já foram entregues. Todas essas coisas servem para juntar claques a serem filmadas de perto para parecerem multidões.

Voto na urna custa caro, é preciso meter a mão no bolso. Há 14 milhões de desempregados no país, sem contar alguns milhões que desistiram de procurar emprego. As classes C e D comem menos do que comiam em janeiro último. A vida está mais cara e falta vacina porque o governo não teve pressa em comprar.

A maldita CPI da Covid-19, instalada no Senado, acendeu a luz vermelha no Palácio do Planalto. O governo está tendo seus erros expostos no rádio, televisão e redes sociais, e isso é muito ruim para Bolsonaro que não quer passar à história como um presidente acidental. Então, vamos aos pobres!