A voz da razão nem sempre ouvida e a nova guerra no Oriente Médio

Quem está vencendo até aqui

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1 de 1 eua-ira-trump-guerra-oriente-medio—arte-metropoles-1 - Foto: Arte Carla Sena/Metrópoles sobre fotos Getty Images

Dá-se o nome de “voz da razão” à capacidade humana de pensar de forma lógica, ponderada e objetiva, agindo como um guia interior para o discernimento moral e prático. Ela busca soluções sensatas e tenta controlar emoções impulsivas ou irracionais.

Se o primeiro-ministro Winston Churchill tivesse ouvido a voz da razão, deveria ter chegado a um acordo com a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, porque opor-se a ela significava longos anos de muito “sangue, trabalho, lágrimas e suor”.

Mas ele não deu e o mundo agradece. Churchill teve a sorte de os japoneses terem atacado a marinha americana estacionada na ilha de Pearl Harbor. Os Estados Unidos entraram na guerra. A Grã-Bretanha perdeu seu império. O resto é história conhecida.

A julgar pelo desequilíbrio de forças entre o Vietnã e os Estados Unidos, os norte-vietnamitas deveriam ter se rendido. Foram alvos de mais bombas do que os nazistas e seus aliados. Por fim, derrotados, os americanos declararam vitória e foram embora.

Primo do Profeta Maomé, primeiro dos imames para todos os muçulmanos xiitas, o califa Ali ibn Abi Talib ensinou:

“Para que sua voz seja ouvida, peça o possível”.

Nada é mais apropriado do que oferecer reconciliação sem reivindicar vitória. Porque uma vitória, por mais decisiva que seja, é apenas temporária. No momento, o que os Estados Unidos e Israel oferecem ao Irã é o suicídio, e isso não será aceito por ele.

O Irã precisa apenas não perder para ter sucesso. Os Estados Unidos e Israel precisam de uma vitória maiúscula para evitar a derrota. Uma guerra, que segundo Donald Trump terminaria em poucos dias, já dura 16 e não tem data para acabar.

A esta altura, parece que a única medida de sucesso que resta depende exclusivamente de estatísticas militares: o número de missões de jatos israelenses e americanos, a tonelagem de bombas, o número de alvos destruídos e o número de mortos.

Essas estatísticas poderiam permitir que Trump declarasse vitória caso desejasse abandonar a guerra que está se alastrando, prolongando-se e custando mais do que o planejado inicialmente, mas nenhuma delas representará um sucesso estratégico.

Só há um vencedor até aqui: as grandes companhias petrolíferas. O valor de mercado combinado das seis maiores empresas ocidentais listadas na bolsa de valores aumentou em mais de US$ 130 bilhões desde o início da guerra em 28 de fevereiro.

Trump enfrenta uma escolha difícil, segundo o New York Times: ir em frente para alcançar os objetivos ambiciosos que estabeleceu ou tentar se desvencilhar de um conflito que está gerando ondas devastadoras de choque militares, diplomáticos e econômicos.

A voz da razão recomenda o segundo caminho, mas ela nem sempre é levada em conta.

 

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