O risco do “tudo ou nada” de Alcolumbre
O cálculo de quem decide peitar o Planalto e apostar todas as fichas no resultado das urnas.
atualizado
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Brasília ainda ressente os ecos da derrota de Jorge Messias, mas o foco agora é no que vem depois. Enquanto Flávio Bolsonaro – o “bolsonarinho falso moderado” – comemora a dosimetria com pulinhos e dancinhas de terno azul claro, Davi Alcolumbre joga uma partida de xadrez de alto risco. O presidente do Senado já mandou o recado: quer que a próxima indicação de Lula ao Supremo só seja apreciada após as eleições de outubro.
A aposta de Alcolumbre é perigosa. Ele acredita em uma vitória da direita nas urnas, o que daria ao próximo presidente a prerrogativa de indicar o substituto de Luís Roberto Barroso. É um jogo de sobrevivência política: Alcolumbre quer a reeleição para a presidência do Senado em fevereiro de 2027 e acha que, ao segurar a vaga, garante o apoio dos bolsonaristas.
Do lado do Planalto, o conselho é um só: não esperar. Lula está sendo pressionado a indicar um novo nome imediatamente para não perder o controle do relógio. E a ideia que ganha força nos bastidores é a indicação de uma mulher. Em mais de 150 anos, o Supremo só teve três mulheres. Seria o xeque-mate de Lula no colo de Alcolumbre e da oposição bolsonarista.
Indicar uma mulher de alta competência jurídica colocaria o Senado contra a parede. Se Alcolumbre enrolar, pode causar mal para si e seus novos aliados. Para Lula, que tem seu maior eleitorado entre as mulheres, seria um trunfo eleitoral imbatível.
Resta saber se o presidente vai aprender com o erro da indicação de Messias ou se vai insistir em bater de frente com um Congresso que já aprendeu a dançar conforme a música da direita.


