O “momento Trump” de Alcolumbre: Por que ele recuou?
Após esticar a corda na crise com o STF, Alcolumbre muda o tom e busca “oxigênio” político em reaproximação estratégica com o governo Lula
atualizado
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Em uma reviravolta que ninguém esperava ocorrer tão cedo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), selou publicamente uma trégua com o presidente Lula: Durante agenda oficial no Amapá, o senador, que até dias atrás mantinha uma relação tensa com o Planalto, não poupou elogios ao governo.
“A presença do governo federal, do estado brasileiro que nunca nos faltou”, declarou Alcolumbre, agradecendo o “espírito público” e a sensibilidade de Lula com o Norte e Nordeste.
O Bastidor da Crise
A mudança de tom é drástica. A relação entre os dois poderes vinha se deteriorando, motivada principalmente pela disputa em torno da vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Alcolumbre resistia à possível indicação de Jorge Messias (AGU) — preferido de Lula — e articulava o nome de Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado. A tensão escalou recentemente com a decisão do ministro Gilmar Mendes que limitou poderes do Congresso, levando Alcolumbre a “subir nas tamancas”.
O “Recuo Estratégico”
Para o jornalista João Bosco Rabello, o gesto de Alcolumbre representa um recuo tático comparável a um “momento Trump”: após elevar as apostas e esticar a corda ao máximo, o senador se viu isolado e obrigado a dar um passo atrás. A avaliação, feita em participação no programa do Noblat, é que Alcolumbre fechou tantas portas de negociação que precisou do “oxigênio” político oferecido por Lula para recompor sua influência.
A súbita harmonia sugere que a tradicional habilidade de articulação de Lula — descrita ironicamente nos bastidores como “docinhos por baixo da mesa” — funcionou mais uma vez para desarmar uma crise institucional que ameaçava a governabilidade.
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