O figurino moderado de Flávio Bolsonaro e o comício que flopou na Paulista
Monitor da USP aponta 20 mil pessoas no primeiro comício do herdeiro ungido, que chamou o Supremo de “fundamental”.
atualizado
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O batismo de rua de Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência entregou menos do que a claque prometia. No auge do comício na Avenida Paulista, o “monitor” da USP contou 20 mil pessoas. É pouco. É exatamente a metade do que o bolsonarismo costumava mobilizar no mesmo asfalto. Na linguagem das redes que eles tanto dominam, o evento “flopou”.
Mas o que chamou a atenção não foi o vazio de gente, e sim o vazio de convicção no novo figurino do herdeiro. Enquanto Silas Malafaia e Nikolas Ferreira esgoelavam-se pedindo o impeachment de ministros do Supremo, com direito a “Fora, Moraes”, Flávio resolveu amolecer. Disse, sem ficar vermelho, que o “alvo nunca foi o Supremo” e que a Corte é “fundamental para a democracia”.
É a fantasia do “Bolsonaro moderado”.
Uma peça de teatro montada para tentar desarmar a artilharia do Judiciário e do PT antes que a campanha de fato comece. Flávio tenta se descolar do radicalismo do pai para atrair o tal “centro” que foge do barulho, mas esquece que o Google e a memória do eleitor não sofrem de amnésia.
É o mesmo Flávio que, tempos atrás, sugeria que Donald Trump bombardeasse barquinhos na Venezuela e “limpasse” a Baía de Guanabara. Agora, corre para defender o ataque de Trump ao Irã, ignorando a tradição diplomática do Itamaraty. Ou seja: a moderação é só para o consumo interno e para os ouvidos dos ministros do STF.
Nikolas Ferreira, o grande mobilizador do dia, confirmou que é um fenômeno de cliques, mas a análise de quem conhece o riscado é impiedosa: muita rede social, pouca substância política. Ele puxa o coro, Flávio tenta o drible, mas a Paulista vazia deixou um recado amargo para quem se pretendia um “motor” eleitoral.
É certo dizer que primeiro lance do herdeiro ungido não assustou ninguém.


