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O que acontece entre uma COP e outra? (por Mariana Caminha)

Como manter o ritmo da transição em um mundo cada vez mais fragmentado?

17/06/2026 11:25, atualizado 17/06/2026 11:43
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Ricardo Stuckert / PR
Centro de Convenções da cúpula COP30

Enquanto escrevo esta coluna, faço as malas para mais uma edição da London Climate Action Week, a Semana de Ação Climática de Londres. Embora ainda seja pouco conhecida do grande público brasileiro, ela se tornou um dos encontros mais influentes do calendário climático internacional.

E não estou exagerando.

Em sua oitava edição, a London Climate Action Week consolidou-se como o maior encontro climático da Europa. Neste ano, a expectativa é reunir cerca de 50 mil participantes em mais de 700 eventos espalhados pela cidade. Mais do que uma conferência, trata-se de uma mobilização que ocupa universidades, centros financeiros, empresas, museus, instituições públicas e espaços comunitários ao longo de nove dias.

A partir da próxima semana, será difícil caminhar por Londres sem esbarrar em uma discussão sobre clima. Mas o que explica o sucesso de um evento que nem sequer faz parte do calendário oficial das Nações Unidas?

A resposta talvez esteja justamente no fato de que a ação climática deixou de caber apenas dentro das COPs.

Durante décadas, o mundo concentrou suas atenções nas Conferências das Partes da ONU, as famosas COPs. E elas continuam sendo fundamentais. Afinal, é ali que governos negociam acordos internacionais, estabelecem metas e definem regras globais.

Mas a realidade é que a transição para uma economia de baixo carbono não acontece apenas nas salas de negociação. A discussão já está nos mercados financeiros, nas empresas, na política.

Foi justamente para preencher esse espaço entre uma COP e outra que as chamadas Climate Weeks ganharam relevância.

A London Climate Action Week nasceu em 2019 com um objetivo relativamente simples: criar um espaço onde governos, investidores, empresas, academia e sociedade civil pudessem discutir soluções climáticas de forma prática e colaborativa.

Poucos anos depois, tornou-se muito mais do que isso.

Hoje, é uma das principais plataformas globais para manter o impulso político e econômico da agenda climática entre as conferências da ONU. Em outras palavras, ajuda a garantir que o mundo não espere doze meses para voltar a conversar sobre um dos maiores desafios do nosso tempo.

E não existe lugar mais apropriado para isso do que Londres.

A cidade continua sendo um dos principais centros financeiros do planeta e abriga algumas das instituições mais influentes na discussão sobre finanças sustentáveis, investimentos climáticos e transição energética. Se a descarbonização da economia depender da mobilização de trilhões de dólares, faz sentido que uma parte importante dessa conversa aconteça lá.

Não por acaso, grande parte das discussões deste ano estará concentrada em uma pergunta central: como financiar a transformação necessária para enfrentar a crise climática? Dinheiro, dizem os especialistas, existe. Mas como canalizar esse investimento para projetos verdes, sustentáveis?

Outras tantas pautas também integram a agenda da LCAW deste ano. Adaptação climática, resiliência urbana, natureza, segurança energética, inteligência artificial, saúde, inovação tecnológica, transição industrial e preparação para a COP31 também estarão no centro dos debates.

E, claro, como ignorar o cenário mundial?

A agenda climática chega a Londres em um momento de grandes incertezas geopolíticas. Guerras, disputas comerciais, polarização política e pressões econômicas têm colocado em xeque compromissos assumidos nos últimos anos. Em diversos países, a pauta climática passou a enfrentar resistência justamente quando a ciência nos mostra que o tempo está se esgotando.

Por isso, uma das perguntas que pairam sobre muitos dos encontros desta edição é simples: como manter o ritmo da transição em um mundo cada vez mais fragmentado?

Em um momento em que a crise climática se torna cada vez mais visível e os desafios parecem cada vez maiores, há algo de encorajador em ver quase 50 mil pessoas dedicando seu tempo a buscar soluções – o grupo já entendeu que a ação climática não acontece uma vez por ano.

Até a próxima coluna – diretamente de Londres, como nos velhos tempos.