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Flávio só piora: fez teatro nos EUA e colheu repúdio por traição

Nota do governo Lula revela que o senador Flávio Bolsonaro não se posicionou contra tarifaço nos EUA

08/07/2026 08:00
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Flávio só piora: fez teatro nos EUA e colheu repúdio por traição
Flávio só piora: fez teatro nos EUA e colheu repúdio por traição

No programa do Noblat desta terça-feira (7), a análise política esmiúça o jogo de cena de Flávio e Eduardo Bolsonaro em Washington. Os irmãos participaram de uma audiência pública para discutir o tarifaço de 25% imposto pelo governo americano sobre produtos brasileiros. Para os analistas, a viagem não passa de um palanque para que o senador tente posar como defensor da economia nacional.

A pressa do clã em pedir o adiamento ou cancelamento das taxas decorre de puro desespero eleitoral. Faltando menos de 90 dias para as eleições, Flávio teme cruzar a campanha carimbado como apoiador do protecionismo de Donald Trump. O cinismo da investida fica evidente quando se resgata o histórico recente: no ano passado, o próprio Flávio e seus aliados aplaudiram publicamente um tarifaço ainda maior, de 50%.

Para piorar a situação (da turma bolsonarista), o governo Lula emitiu uma nota oficial repudiando a intervenção do senador. O texto afirma que convocar uma potência estrangeira para pressionar o próprio país é “traição à pátria”.

Leia nota na íntegra:

O governo brasileiro repudia a intervenção do senador Flávio Bolsonaro em audiência pública realizada, nesta terça-feira (7), pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), aberta à participação do setor privado e da sociedade civil para discutir a imposição de tarifas contra o Brasil.

Ao todo, 78 entidades e pessoas físicas se inscreveram para se manifestar sobre o tarifaço. Desse total (somando brasileiros e estadunidenses), 63 são contra o tarifaço, 15 são a favor.

Das 44 intervenções de estadunidenses, 30 são contra o tarifaço e 14 a favor. Entre os 34 brasileiros inscritos, só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro.

Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país.

O senador não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil. Tampouco aproveitou a audiência de hoje para reconhecer que errou ao contrariar os interesses do povo brasileiro.

O senador defendeu a revogação de decretos brasileiros que previnem a circulação de conteúdos criminosos e enfrentam a violência contra mulheres no ambiente digital. Isso só interessa a dois grupos: quem lucra com o caos e quem precisa dele para cometer crimes.

Ao citar o caso Master, maior esquema de corrupção da história do país, omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro. Também esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai.

Assim como o caso Master, os descontos ilegais que prejudicaram milhões de aposentados e pensionistas do INSS também começaram no governo Bolsonaro. Foi no atual governo que o esquema foi desbaratado pela Controladoria Geral da União e a Polícia Federal e que 3,2 bilhões de reais que haviam sido desviados foram devolvidos para 4,2 milhões de beneficiários. Ao contrário do que o senador Flávio Bolsonaro e sua família defenderam ao longo do último ano, ele agora tenta mudar o discurso e passar a imagem de que defende o PIX.

Mesmo assim, propõe subordinar o PIX aos interesses norte-americanos.

O governo brasileiro negocia ininterruptamente com os Estados Unidos desde julho de 2025 para reverter as tarifas aplicadas injustificadamente contra o Brasil. Por meio de reuniões, cartas, telefonemas e encontros no mais alto nível, temos demonstrado que as tarifas não têm fundamento.

Esta manhã, enquanto o senador Flávio Bolsonaro tentava politizar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos, funcionários do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; Itamaraty; Ministério da Justiça; e do Palácio do Planalto mantinham reunião com técnicos do USTR para desfazer o tarifaço contra o Brasil.

Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro.

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República