Entre o recuo de Flávio e o avanço de Zema
Enquanto o 01 busca abrigo na moderação, Romeu Zema sequestra o conflito que a base radical já não enxerga no clã Bolsonaro
atualizado
Compartilhar notícia

Romeu Zema parece ter encontrado, enfim, o seu caminho para 2026. E ele passa, obrigatoriamente, pelo enfrentamento ao Supremo Tribunal Federal. Ao subir o tom contra a Corte, o governador de Minas Gerais não está apenas exercendo um direito de crítica, está fazendo um cálculo eleitoral frio para ocupar o vácuo deixado por Jair Bolsonaro.
Zema identificou que o eleitorado mais radical, aquele que se sente órfão e perseguido, busca um novo porta-voz. Enquanto Flávio Bolsonaro tenta posar de moderado em dancinhas de rede social e Ronaldo Caiado evita bater de frente com o Judiciário, Zema resolveu chutar o balde.
O objetivo é claro: ser o candidato que representa o bolsonarismo raiz, sem as amarras da prudência.
Mas há um perigo nessa trilha. Se o STF cair na tentação de reagir com medidas extremas, como uma ordem de prisão por desonra ou desacato, acabará por dobrar a intenção de votos do mineiro da noite para o dia. O Supremo, que tem a prerrogativa de errar por último na interpretação das leis, não pode errar ao entrar no jogo político de quem busca o martírio para se promover.
Enquanto isso, a direita se fragmenta em brigas paroquiais, com Nikolas Ferreira atacando Jair Renan e outros nomes surgindo no horizonte, como Aldo Rebelo. Zema, porém, escolheu o alvo mais alto. Ele sabe que, para quem quer o voto da extrema-direita, o aplauso do empresariado é pouco, é preciso – infelizmente – o ódio contra as instituições.


