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Cadê a terceira via? (por Antônio Carlos de Medeiros)

Continua faltando coragem e ideias consistentes aos principais candidatos vistos como do centro/centro-direita

Da Redação12/06/2026 10:06
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Gil Leonardi/ Imprensa MG
Imagem colorida de Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado durante visita à feira agropecuária em Belo Horizonte

As eleições presidenciais continuam em aberto. A pesquisa Quaest desta semana registra 56% de indecisos na menção espontânea. Lula com 23% e Flávio Bolsonaro com 17%, também na espontânea.

Os independentes representam 32% do eleitorado. Estão acima de Lula (23%) e Flávio (17%). 59% dos independentes rejeitam Lula. E 64% rejeitam Flávio Bolsonaro.

Continua com os independentes os rumos das eleições. A volatilidade ainda vai definir as eleições.

Com espaço eleitoral ainda aberto para o eventual crescimento de um candidato de terceira via. As rejeições de Lula e Flavio no eleitorado como um todo continuam girando em torno dos 50%. A guerra de rejeições continua.

Mas continua faltando coragem e ideias consistentes aos principais candidatos vistos como do centro/centro-direita: Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).

Eles não conseguem se descolar da sombra do bolsonarismo. Mesmo sabendo que o espaço de Centro (32% de independentes) está aberto para uma candidatura de centro-direita/direita não bolsonarista.

A terceira via nem bem tem ainda um projeto eleitoral. Muito menos um projeto de país e de futuro. Olha mais para o poder e menos para a sociedade. Só que não há mais espaço político-eleitoral para acordo pelo alto. É preciso conquistar a sociedade.

Neste sentido, a terceira via nem constrói coalizões na sociedade civil para avançar e nem alianças consistentes no plano político-partidário.

Ela comete, portanto, o mesmo equívoco do campo bolsonarista e do campo lulopetista: tem projeto de Poder e narrativas mais eleitorais, mas tem menos ênfase político-programática.

Assim, o Brasil vive outra vez um déficit de oferta política de lideranças que possam dialogar com a demanda da sociedade por lideranças de cosmovisão liberal social – isto é, lideranças do campo do Centro do espectro político. Existe a demanda. Mas falta a oferta.

Potenciais e pretensos candidatos de terceira via aparecem nas eleições e depois se dissolvem em iniciativas “isoladas”. São líderes e centros de estudos e de convivência que não criam força de comunicação com o espectro político e social que almeja e carrega uma opção social liberal.

Preferem fustigar o lulopetismo e o bolsonarismo do que forjar e construir liderança social e política que possa galvanizar a sociedade.

Agora, por exemplo, os candidatos mais conhecidos da terceira via (Caiado e Zema) se equilibram em raciocínio puramente eleitoreiro: operam na narrativa do antipetismo, mas não debatem e criticam a narrativa do bolsonarismo. Qual é a deles?

“O que a vida quer da gente é coragem”, dizia Guimarães Rosa.

As pesquisas continuam mostrando o cansaço com a polarização; a busca de um projeto de futuro; o encontro do liberal com o social.

Um potencial para uma candidatura de centro chegar a conquistar piso eleitoral de até 30%. E ser capaz de disputar um segundo turno. No mínimo, serviria para oxigenar o debate e a disputa eleitoral, com visão mais política e menos eleitoreira.

A sociedade agradeceria.

O Brasil de 2027/2031, diante dos desafios externos e internos já colocados agora em 2026, terá grandes dificuldades de governança e governabilidade se as eleições de 2026 não confluirem para a vitória de uma Frente Ampla.

Em seu novo livro, “A Oligarquia dos Poderes”, Joaquim Falcão mostra que, pela primeira vez, o arranjo oligárquico de poder no Brasil é produzido “pelo Estado dentro dele próprio. Vem das autoridades, das ambições internas. Do progressivo descolamento entre o eleitor e o Estado Democrático de Direito”.

É esta “nova oligarquia” regressiva, em pleno Século XXI, que uma Frente Ampla poderia conter, com legitimidade para reconectar Estado e Sociedade.

Vai ser possível? A sociedade agradeceria.

*Pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science.