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Nuremberg: os limites do homem (por Ricardo Guedes)

A história humana é uma lamúria de guerras

Da Redação12/06/2026 13:19
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Vivien Killilea/Getty Images for Sony Pictures Classics
Nuremberg: os limites do homem (por Ricardo Guedes)

O filme “Nuremberg” (2025), de James Vanderbilt, com Rami Malek e Russel Crowe, retrata o Julgamento de Nuremberg, onde Rami Malek, psiquiatra, é recrutado pelo Exército Americano para avaliar e manter os prisioneiros vivos, ante a possibilidade de suicídio, antes do julgamento, no que ele interage com os Generais prisioneiros do 3º Reich, principalmente com Hermann Göring, representado por Russel Growe, o segundo da hierarquia do Nazismo após Adolf Hitler. Rami tenta entender Göring, no sentido de identificar a “maldade” que diferenciava os Nazistas dos outros homens.

A história humana é uma lamúria de guerras.

Segundo Chris Hedges, em seu livro “What every person should know about war”, nos últimos 3.400 anos da história tivemos somente 268 anos de paz, 8% do tempo total dos tempos da eterna guerra. Hoje, temos cerca de 11 guerras em andamento, e 100 conflitos armados no mundo.

A primeira guerra de proporções foi contra os Neandertais, há 48.000 anos atrás. Depois de miscigenarmos com os Neandertais há 50.000 anos atrás, os eliminamos, o primeiro genocídio, devido a prováveis questões geopolíticas de espaço e alimentos.

Na história escrita, Cartago foi exterminada por Roma, tipo ideal da civilização Greco-Romana, em 146 AC, na Terceira Guerra Púnica, com 50 a 70 mil habitantes estimados mortos à época, homens, mulheres e crianças, com as suas terras cobertas com sal para nada mais ali florescesse.

Na história recente, Hitler exterminou 6 milhões de Judeus em Campos de Concentração na 2ª Guerra Mundial. E, hoje, paradoxalmente, Netanyahu procede à política de extermínio de 70 mil a 80 mil habitantes da Faixa de Gaza, após o ataque, não justificável, por forças terroristas do Hamas a Israel em 2023 causando cerca de 1.500 mortes.

O Dr. Douglas Kelly, representado por Rami Malek, chega à conclusão de que os homens são iguais, diferentes quando movidos pelo ódio. O que ocorreu na Alemanha Nazista, pode ocorrer em outros países, ou na humanidade.

A última frase que aparece no filme Nuremberg”, do filósofo e historiador inglês R. G. Collingwood, diz que:

– “A única pista do que o homem é capaz de fazer é o que ele fez.”

Rousseau disse que somente o “Contrato Social” pode tirar o homem da barbárie. O problema é que o homem prefere a barbárie.

Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago e Autor do livro “Economia, Guerra e Pandemia: a era da desesperança”