
Para o mundo, que eu quero descer (por Mirian Guaraciaba)
Cantou Silvio Brito, há 40 anos. Segunda foi um dia daqueles.

A vexatória derrota da seleção em Nova Jersey, nos states, cruzou com as notícias políticas, do Brasil, e dos Estados Unidos, onde corre campanha ultraconservadora contra o voto feminino. É a cara de Donald Trump. Mas não apenas dele. Paulo Figueiredo, blogueiro que mora por lá, amigo-irmão de Flavio Bolsonaro, afirmou que as mulheres votam “muito mal”.
A fala do neto do ditador João Figueiredo circulou amplamente, dividiu bolsonaristas, e estimulou os piores pensamentos entre seguidores de Flavio. Um dos vídeos mais asquerosos é o da “influenciadora” de direita Pietra Bertolazzi, com um milhão de seguidores, defendendo a proibição do voto feminino.
O Instituto Democracia em Xeque, criado em 2021 com a missão de combater a desinformação e o discurso de ódio, pôs na balança as falas de Figueiredo e Bertolazzi: a base bolsonarista se assanhou, 45% das postagens eram favoráveis ao fim do sufrágio feminino. Olha o perigo.
Os riscos são reais. É real a ascensão da direita na América do Sul – depois de se instalar nos EUA e em alguns países europeus. É o retrocesso – antidireitos, negacionismo, antiaborto, antiLGBTQIA+, contra a preservação da natureza. Os democratas têm muita claro esse cenário, estamos entre a civilização e a barbárie. O voto feminino não é permissão, é direito inquestionável, como todas as conquistas da humanidade ao longo de décadas.
Em nome do progresso, é preciso lutar contra a eleição de mais um Bolsonaro. Wagner Moura, nas redes sociais desse fim-de-semana, foi direto: “será mais um enorme desastre para o Brasil”. Ainda não nos recuperamos dos trágicos quatro anos de Jair, estamos ameaçados por Flávio, pateta à disposição do personalista Trump e sua política de dono do mundo – governo turbulento, caótico, belicoso.
Aliás, Flávio está nos Estados Unidos para, além de lamber as botas do ditador americano, pregar que as punições pedidas por ele contra o Brasil, venham “depois das eleições”. Covarde, sabe que a tese de megataxação vai pesar contra sua candidatura. Flávio chega a Washington no clima da vergonhosa partida entre Brasil e Noruega. Combina com ele.
Vergonha idem de Donald Trump e de Gianni Infantino, presidente da FIFA. Trump mandou e Infantino obedeceu, reconsiderando cartão vermelho dado ao jogador americano Folarin Balogun. O atleta, que estava suspenso, jogou contra uma Bélgica estupefata. Nem Hitler ousou tanto nas Olimpíadas de 1936, em Berlim.
Domingo foi um dia triste pra quem acreditou que dessa vez seria possível. Depois daquele 7 a 1, da Alemanha, em casa, há 12 anos, o futebol brasileiro andava desacreditado. Nesse domingo, os canarinhos (não merecem esse apelido) bateram novo recorde: cairam nas oitavas pela terceira vez em sua história. E a Noruega não é essa Alemanha toda.
Vexame histórico, do qual só os torcedores saíram frustrados, desiludidos, de mãos abanando. Os jogadores já milionários e a sempre suspeita CBF saem com as burras cheias de dinheiro. A campanha até às oitavas, onde morreu a seleção, rendeu US$ 25 milhões (R$ 131 milhões) para a Confederação Brasileira, a serem divididos com a fraca seleção. Pensar que Neymar leva uns tostões dessa grana, depois de passar 1028 dias esperando para jogar pela seleção. E acertar um gol de pênalti.
Ao fim do jogo, o único a pedir desculpas à torcida, consciente de que “os brasileiros pagaram preços altos para estarem aqui”, foi o capitão do time, Marquinhos, 32 anos. “Jogadores mais velhos tem que pedir desculpas, e pedir paciência e apoio aos mais jovens que vem aí”. Desculpar, a gente não desculpa, não, Marquinhos. Vocês tinham tudo para vencer, menos vontade. Paciência? Mais? Seis copas sem vencer nos deixa, na verdade, sem esperança.
Mundo Trsite – A Venezuela, cujo presidente e sua esposa foram sequestrados por Donald Trump, em janeiro, sofreu tragédia sem precedentes há uma semana. Terremoto duplo. Mais de três mil mortos, 16 mil desabrigados, e sete milhões de pessoas afetadas pela devastação de uma cidade inteira, Lá Guaíra.
Pela saúde de Lula – Os paroquianos da Igreja São Paulo Apóstolo, em Copacabana, foram surpreendidos na missa das 12hs, último domingo, com as preces especiais. Entre duas dezenas de nomes, o sacerdote pediu pela “saúde e sorte de Luís Inácio Lula da Silva”. Amém.
