O porquê dos atentados contra presidentes nos EUA (por Ricardo Guedes)

Os Estados Unidos é um país violento. Sua história foi forjada em armas.

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Toda vez que um Presidente dos Estados Unidos foge muito do pacto político e econômico central feito pelos “Fundadores da Nação”, os da liberdade e do mercado, o Presidente em exercício corre o perigo de atentado. No total de 45 Presidentes eleitos em sua história, 13 sofreram atentados, com 4 assassinatos. Abraham Lincoln, na revalidação do pacto político e econômico no pós Guerra Civil Americana, foi assassinado em 1865.  Na história recente, John Kennedy, percebido como mais à esquerda na política americana, foi assassinado em 1963 em Dallas. Robert Kennedy, então forte candidato à Presidência, foi assassinado em 1968, ainda em campanha. Regan, percebido como mais à direita, sofreu atentado em 1981. Agora, Trump, sucessivamente, sofre três tentativas e atentados consecutivamente, em 2024 durante a campanha, nova tentativa em 2024 nas cercanias de sua residência na Florida, e agora em 2026 no Hotel Hilton em Whashington.

Os Estados Unidos é um país violento. Sua história foi forjada em armas. Enquanto os Brasileiros acreditam que essa terra aqui é nossa, o Americano considera o seu país como terra conquistada, onde o agradecimento ocorre no Thanksgiving.

Nos Estados Unidos, existem 393 milhões de armas para uma população de 349 milhões de habitantes. O número anual de assassinatos por 100 mil habitantes ano nos Estados Unidos é de 5,8, certamente muito menor do que no Brasil com 20,6 e no México com 24,9, países com descontrole em suas políticas de segurança; mas equivalente à Argentina com 4,5 e ao Chile com 6,2, países na América Latina, ou ao Zimbabwe com 6,8, na África; mas muito superior a seus contrapartes, como o Canadá com 2,0; Europa com 2,1, Japão com 0,2; e China com 0,5.

Desde 1945, após a formação da Nova Ordem Mundial a partir de Bretton Woods, os Estados Unidos, comparado com Rússia e China, lidera a participação direta em guerras e conflitos armados no mundo, com a participação em 19 guerras e conflitos armados, Rússia 13, China 7.

Os Mass Shootings são também uma disfunção social que permeia os Estados Unidos. Os Mass Shootings têm aumentado significativamente nos últimos anos: em 2000-2010, cerca de 100 a 200; 2010-2015, 600 a 700; 2015-2020, 2.000 a 2.200; 2020-2025, 3.000 a 3.300. Os Mass Shootings expressam, em uma sociedade de ideologia individualista, a anemia social dos que se consideram mal sucedidos contra aqueles vistos como privilegiados, ou bem sucedidos, contra escolas, universidades, e shoppings.

Os Estados Unidos estão perdendo a liderança do mundo para a China, com o seu PIB caindo entre 1960 a 2025 de 40% para 26% do PIB mundial, a China de 4% para 17%, em tendência, ao que tudo indica, irreversível.

É triste o declínio de uma nação.

 

Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago e Autor do livro “Economia, Guerra e Pandemia: a era da desesperança”  

 

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