HÁ VINTE ANOS- Quando Florianópolis perde a magia (Marcelo Tolentino)
Lembranças do tempo da ditadura
atualizado
Compartilhar notícia

A reação da PM de Florianópolis aos protestos estudantis contra o aumento de 8,8% nas passagens de ônibus compromete o respeito à democracia na cidade conhecida como Ilha da Magia.
Dois dos sete dias de protestos que começaram na terça-feira passada lembraram aqueles negros anos da ditadura militar de 64. Armada com balas de borracha, gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral, fuzis e cachorros, a PM atacou na terça e na quinta-feira um grupo de manifestantes formado basicamente por estudantes do ensino médio, professores e até mesmo crianças portadores de necessidades especiais.
A mídia local anunciou que foram presas 16 pessoas até o começo da semana, mas, segundo o Centro de Mídia Independente o número chega a 60. A prisão se deu “por desacato, desobediência e incitação ao tumulto”, informou o comando da PM. Um jovem de 22 anos acabou espancado.
É fato que alguns vândalos costumam manchar qualquer movimento por mais justo que ele seja – mas isso justificaria o emprego da violência contra adolescentes?
Na última terça-feira (dia 7), o prefeito de Florianópolis, Dário Berger, esteve em Brasília reivindicando redução de impostos para baixar a tarifa de ônibus, o que não conseguiu. Ainda não se sabe qual será o próximo passo do dos estudantes.
A tarifa continua sendo uma das mais caras do país. Em alguns trajetos, ela chega a ser de R$ 3,00, superando tarifas cobradas em São Paulo (R$ 2,00) e em Salvador (R$ 1,50).
(Publicado aqui em 11 de agosto de 2005)


