Economia Verde: US$ 4,4 trilhões em jogo (por Mariana Caminha)
O Brasil desponta entre os países com maior potencial de expansão nas áreas de energia limpa, agricultura regenerativa e infraestrutura
atualizado
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Às vésperas da COP30, evento que colocará o Brasil no centro das discussões globais sobre o clima, um novo relatório divulgado nesta terça-feira, em São Paulo, traz dados que podem redefinir o debate: o financiamento climático global alcançou um ponto de inflexão.
O estudo, publicado pela Climate Bonds Initiative, mostra que apenas 12 países – entre eles o Brasil – já estruturaram pipelines de investimento que somam US$ 4,4 trilhões em oportunidades concretas para a transição verde. O dado indica que o discurso começa, finalmente, a se traduzir em ação, e que o capital está, de fato, fluindo para onde a economia precisa ir: rumo à descarbonização, à adaptação e à resiliência.
Mais do que um número impressionante, os US$ 4,4 trilhões simbolizam o início de uma nova economia – aquela em que o verde é o motor do crescimento. O Brasil desponta entre os países com maior potencial de expansão, especialmente nas áreas de energia limpa, agricultura regenerativa e infraestrutura resiliente. O desafio agora é acelerar a criação de um ambiente institucional e regulatório capaz de atrair e escalar esses investimentos. É uma tarefa complexa, mas plenamente possível – e há investidores do mundo inteiro atentos, animados com as possibilidades que nosso país oferece.
Os instrumentos voltados à resiliência climática, área que ainda recebe apenas uma fração dos recursos destinados à mitigação, passam a ser, agora, a joia da coroa. O recente lançamento de títulos de resiliência por governos como o de Tóquio mostra que o mercado financeiro começa a compreender que preparar cidades e economias para os impactos do clima é tão vital quanto reduzir emissões.
Esses movimentos ganham força em um momento simbólico, a poucos dias da COP30, que será realizada no coração da Amazônia. Entre investidores, representantes de governos, bancos e gestores de ativos, um consenso: há (muito) dinheiro disponível para financiar a ação climática. O que falta, ainda, são projetos bem estruturados, políticas públicas coerentes e confiança para investir. E é exatamente essa confiança que o Brasil tem a oportunidade – e a responsabilidade – de consolidar nos próximos meses.
No teste de liderança global que se desenha, o nosso país tem a chance de deixar um marco em direção a uma nova economia – mais resiliente, inclusiva e justa.
Dizem que somos a última geração capaz de evitar o desastre. Mas talvez sejamos, na verdade, a primeira capaz de construir um planeta realmente sustentável.


