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A morte de Pelé, o escultor do futebol sem fronteiras (Por Nuno Sousa)

Desaparece quem deu uma nova aura à camisa 10. Marcou em quatro Mundiais, conquistou um sem-número de títulos e, com eles, o mundo

Guga Noblat30/12/2022 11:00, atualizado 30/12/2022 01:33
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4Imagens/Getty Images
Pelé

Zaluar teria passado pelo futebol brasileiro praticamente sem deixar rasto, não tivesse sido chamado a substituir Antoninho na baliza do Corinthians de Santo André, naquele 7 de setembro de 1956. Era dia de jogo com o todo-poderoso Santos, um encontro particular organizado para assinalar o Dia da Independência.

No decorrer do segundo tempo, Lula, treinador do Santos, trocou o consagrado atacante Del Vecchio por um miúdo de 15 anos, esguio e de “pernas bem fininhas”. Minutos depois, aos 79, o jovem avançado recebeu a bola de Jair, contornou um zagueiro e rematou por baixo do corpo do goleiro.

Naquele instante, o guardião de 30 anos ficou furioso. Não poderia adivinhar que acabara de protagonizar um momento histórico, que mais tarde capitalizaria até ao fim da vida: “Zaluar Torres Rodrigues – Goleiro 1.º Gol de Pelé”, mandou gravar nos seus cartões-de-visita.

Estava aberta a conta-corrente do maior ídolo do desporto brasileiro, de um futebolista que marcou todo um século e que desapareceu nesta quinta-feira, aos 82 anos de idade, vítima de um câncer que o foi debilitando nos últimos tempos.

O elegante diamante bruto que despontou nas escolinhas do Bauru Atlético Clube, no interior de São Paulo, então com o número 8, haveria de sacralizar a camisa 10 e de varrer o mundo com o seu talento. Haveria de colecionar gols e troféus com a voracidade com que os admiradores procuravam o seu autógrafo. Haveria de ser, tantas vezes, um país em movimento.

Trecho do obituário de Pelé publicado pelo PÚBLICO; https://www.publico.pt/2022/12/29/desporto/noticia/morreu-pele-19402022-escultor-futebol-fronteiras-1977510