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A literatura que inspira a guitarra de Julian Lage (Flávio de Mattos)

Música

atualizado 29/05/2021 9:57

Julian Lage Reprodução

O guitarrista Julian Lage tem uma maneira muito especial para desenvolver seus solos. Ele procura acompanhar na guitarra a leitura de poemas ou de prosa literária. Seus escritores preferidos são o poeta Nikki Giovanni e o novelista James Baldwin. Lage diz que a cadência e a claridade da oratória dos dois guiam suas mãos por caminhos desconhecidos, enquanto o poder das palavras marcam fundo a sua consciência.

“As pessoas, em geral, falam de uma maneira sempre mais desprendida”, explica Lage. “Existe uma urgência na fala, que é marcante nos discursos. Apesar de não parecer óbvia a correlação entre a leitura de um texto e as notas da guitarra, ampliando um pouco de imaginação, podemos ver que, nos dois casos, estamos diante de tons, de ritmos e de frases. Eu procuro representar de maneira abstrata, com a música, o que essas pessoas estão dizendo”, relata o artista.

Aos 33 anos, Julian Lage é um dos mais aclamados guitarristas de sua geração. Ex-menino prodígio, o músico começou a estudar a guitarra aos cinco anos. Aos oito, sua rotina de estudo foi registrada no premiado documentário Jules at Eight (1996). Aos nove estava em um palco da Califórnia, tocando, lado a lado, simplesmente, com Carlos Santana. E aos 15, já estava ministrando oficinas de jazz na Universidade de Stanford.

O jovem, mas experiente, músico está lançando seu novo álbum Squint (2021). É o décimo segundo trabalho de sua carreira, como líder, e o primeiro a sair pela casa do jazz Blue Note. O disco traz o trio de Julian Lage, com o baixista Jorge Roeder e o baterista Dave King. Em janeiro de 2020 eles estavam em uma temporada no Village Vanguard, em Nova York, já com todas as músicas preparadas para serem gravadas. A pandemia, contudo, fez com que o projeto acabasse adiado.

Julian Lage aproveitou o tempo de isolamento para reformular algumas das canções, com a influências do confinamento e dos movimentos por justiça social desencadeados nos Estados Unidos. Ele conta que, quando pôde entrar em estúdio com o trio, em agosto passado, as músicas estavam com um ar mais misterioso, mais profundo e sombrio…

“Esse foi um período em que mais gente tomou consciência da globalidade da injustiça racial; do racismo sistêmico; da injustiça social; da desigualdade de gênero e de todas essas coisas, que sempre estiveram presentes, mas eram pouco discutidas. Os acontecimentos recentes trouxeram esses temas para o debate, em uma escala muito grande, como precisava. A minha música, traz o sentimento desta época”, observa Lage.

A delicada e elegante Etude abre o novo álbum, em uma interpretação de Julian Lage, em guitarra solo. Em seguida, o trio completo entra no balanço da composição Boo’s Blues, em que Lage desfila muito à vontade, uma vez que ele costuma de dizer que não se considera um guitarrista de jazz, mas sim um bluseiro. Outra peça fundamental do álbum Squint é Saint Rose, composta por Lage para fazer brilharem o baixo e a bateria que o acompanham.

O álbum Squint estará disponível a partir do dia 11 de junho em todas as plataformas. Enquanto isso vamos curtir o vídeo de Julian Lage e seu trio em um dos temas do novo disco, Familiar Flower. A música foi escrita em homenagem ao grande saxofonista Charles Lloyd, de 83 anos, com quem Lage esteve tocando nos últimos anos.

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