“Pensei que ia morrer”, diz mulher espancada pelo namorado no DF

Vítima disse ao Metrópoles que as agressões ocorreram após o suspeito flagrar mensagem do ex-marido no celular dela

Hugo Barreto/MetrópolesHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 23/07/2019 18:18

Maria (nome fictício), de 40 anos, viveu momentos de terror e temeu por sua vida enquanto era espancada dentro de casa, em Planaltina, no Distrito Federal. No último domingo (21/07/2019), o namorado, 25, com quem se relacionava há um ano e meio, pegou o celular da mão dela e viu, nas notificações, um comentário do ex-marido em uma das fotos publicadas no Facebook. À polícia, o autor confessou o crime e disse que as mensagens teriam motivado as agressões.

Tomado por uma crise de ciúmes, o namorado acreditou que o comentário era motivo suficiente para contestar a fidelidade da vítima, então passou a agredi-la. “Ele me segurou pelo pescoço e me prensou contra a parede. E ficava dizendo: ‘Eu que deveria ter sido seu primeiro homem’”, relatou a mulher, que pediu para não ser identificada.

Ao Metrópoles, Maria disse que tentou correr e fugir das agressões do companheiro, sem sucesso: “Ele me puxou, deu um tapa no meu rosto e eu caí”.

Ela conta que, quando estava caída no chão, o homem passou a desferir pontapés. “Começou a chutar meu rosto, várias vezes. Batia, a todo instante, a minha cabeça contra o chão. Pensei que ia morrer naquela hora, só via o sangue escorrendo. A quantidade de sangue que eu perdi foi muito grande.”

Após a agressão, o suspeito desesperou-se e decidiu acionar o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). O socorro esteve no local e transportou a vítima ao Hospital Regional de Sobradinho (HRS). Segundo os socorristas, a vítima deu entrada na unidade pública de saúde apresentando cortes na testa, inchaços na região do rosto e da cabeça, e reclamava de dores na cabeça.

Nessa segunda-feira (22/07/2019), a mulher teve alta médica, agora se recupera em casa dos ferimentos. “Graças a Deus, estou tendo muito apoio dos meus familiares. É o que preciso neste momento”, disse.

O agressor, por sua vez, foi preso em flagrante no dia do crime. O caso de violência doméstica é apurado pela 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina).

Histórico agressivo

Conforme o Metrópoles apurou, esta não é a primeira ocorrência de violência doméstica envolvendo o autor. De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), há outros registros de agressões envolvendo o homem, uma relacionada à ex-companheira. “Eu realmente não sabia dessa história, ele nunca tinha comentado comigo. Fiquei sabendo agora na polícia.”

O investigador Diogo Cavalcante, responsável pelo inquérito, informou que o homem, depois de ter confessado o crime, disse que queria pagar pelo que fez.

“A vítima já tinha denunciado o namorado em maio deste ano. À época, ela pediu medida protetiva após ele ter um ataque de fúria. Depois de um tempo, eles reataram. Nesse domingo, houve nova agressão. Ele tem uma terceira passagem na polícia, também por Maria da Pena”, disse o policial.

No dia da prisão, foi estabelecida fiança de R$ 5 mil. No entanto, em audiência de custódia realizada nesta terça-feira (23/07/2019), a Justiça decretou a prisão preventiva do autor do ataque.

Só no primeiro semestre de 2019, até a última atualização da Secretaria de Saúde do DF, em 8 de julho, 648 vítimas foram atendidas pelos hospitais e policlínicas da capital federal em decorrência de violência doméstica. No mesmo período, em 2018, o número foi de 254.

 

 

Neste 2019, o Metrópoles iniciou projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.

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