Homem seguiu e filmou ex-mulher antes de matá-la com tiro no olho

Nas imagens, Matheus Cardoso Galheno ameaça Isabella Borges de Oliveira: "Vou dar na sua cara"

Material cedido ao MetrópolesMaterial cedido ao Metrópoles

atualizado 02/04/2019 11:56

Inconformado com o fim do relacionamento, Matheus Cardoso Galheno, 22 anos, seguiu e filmou Isabella Borges de Oliveira, 25, antes de matá-la, na manhã deste domingo (31/3), no Paranoá. Após disparar contra a ex-companheira, Matheus tirou a própria a vida. Foi o sétimo feminicídio no Distrito Federal – apenas neste ano.

O agressor filma o rosto do homem que estava com a ex-mulher, próximo a um ponto de ônibus. “Vagabundo. Eu cuidando dos filhos dela e ela com o vagabundo”, diz Matheus. Isabella tenta fazê-lo parar de gravar e ele ameaça: “Vou dar na sua cara”. As imagens teriam sido feitas há menos de uma semana e estão em poder da polícia.

Separados há cerca de um mês, o casal tinha dois filhos gêmeos, de um ano de idade (foto em destaque). Quando Matheus invadiu, armado, a residência da ex-parceira, Isabella, que estava com as crianças, agarrou-se aos bebês e gritou por ajuda, de acordo com informações da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

A irmã mais velha de Isabella teria sido a primeira a chegar ao quarto e presenciar a cena. Segundo os investigadores, ela teria tentado negociar com o ex-cunhado para que ele abaixasse a arma, sem sucesso. “Ele só gritava: ‘tira as crianças daqui que você está me atrasando'”, revela a delegada Jane Klébia, responsável pelo caso.

Veja o vídeo gravado por Matheus:

A princípio, a irmã relutou em tirar os gêmeos do ambiente, por acreditar que, com as crianças ali, o pai não atiraria em Isabella. Enquanto permanecia o impasse, o irmão da vítima também surgiu e fez menção de tomar a arma do suspeito. Em seguida, Matheus ameaçou matar todos caso alguém se aproximasse – o rapaz, então, recuou. Com isso, a tia retirou as crianças do quarto. Ao sair, a mulher ouviu o primeiro disparo. Na sequência, veio o segundo.

Ao voltar para o cômodo, a irmã viu Isabella no chão, imóvel, em uma poça de sangue. O atirador agonizava em uma poltrona, com um ferimento na cabeça.

A arma usada no crime foi recolhida e levada para a 6ª DP. Inicialmente, os investigadores desconfiaram que Matheus tivesse pegado o revólver do pai, que é policial. Mas isso foi descartado após o militar prestar depoimento. A PCDF investiga a procedência da arma. “Precisamos saber se houve um terceiro envolvido [que tenha fornecido o revólver], mas é pouco provável”, pontua Jane Klébia.

De repente
A titular da 6ª DP ainda informou que Matheus não tinha passagens pela polícia nem histórico conhecido de agressões à Isabella. O motivo da separação, porém, teria sido uma agressão do pai a um dos gêmeos: o vigia teria se irritado com o choro da criança. Com isso, a mãe dos bebês rompeu com o então marido.

“Quando ele cresceu para cima dos meninos, deixou um hematoma no braço de um deles, e a Isabella brigou muito. Teria até batido nele ao ver o vergão no braço do filho”, conta a delegada. O caso foi revelado pela irmã da vítima. Ela não se lembrou de outros episódios de agressão envolvendo o ex-cunhado.

Outros casos
O primeiro caso de feminicídio no DF em 2019 foi registrado na madrugada do dia 5 de janeiro. Vanilma Martins dos Santos, 30, foi morta com uma facada pelo homem que era seu marido há anos. Os dois viviam juntos no Gama e tinham um filho pequeno.

No dia 28 de janeiro, Diva Maria Maia da Silva, 69, recebeu cinco tiros no apartamento da família, na Asa Norte. O assassino era Ranulfo do Carmo, 74, também companheiro da vítima.

Apenas dois dias depois, foi a vez de Veiguima Martins, 56, morrer. Ela já havia registrado ocorrência por ameaça e lesão corporal contra o marido. Após matá-la a facadas no quarto do casal, ele ateou fogo no apartamento para tentar encobrir o crime e acabou morto também.

Ainda em janeiro, Patrícia Alice de Souza, 23, foi atingida por um tiro nas costas. As investigações concluíram que foi feminicídio.

Cevilha Moreira dos Santos, 45, foi encontrada morta no dia 11 de março, em Sobradinho. A vítima tinha marcas de facada no peito. O namorado dela é o principal suspeito.

O sexto caso ocorreu no Itapoã. A filha de Maria dos Santos Gaudêncio, 53, a encontrou morta dentro de casa com um golpe na nuca. O namorado dela, Antônio Alves Pereira, 40, foi preso após ter fugido para o Maranhão. Ele confirmou o assassinato, mas disse ter agido em legítima defesa.

Neste 2019, o Metrópoles inicia um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país. Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.

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