Feminicídio: homem mata mulher e atira no filho na 316 Norte

O filho foi baleado pelo menos três vezes e levado pelos bombeiros ao IHB, estável. Suspeito fugiu, mas acabou detido pela PM no Park Way

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 30/01/2019 12:50

Homem atirou na mulher e no filho, no Bloco E, da 316 Norte, às 10h25 desta segunda-feira (28/1). De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, Diva Maria Maia da Silva, 69 anos, foi atingida e morreu no local.

O filho, de 47 anos, foi levado em estado grave para o hospital. Ainda segundo informações preliminares do CBMDF, Regis do Carmo Correa Maia levou três disparos. O suspeito, Ranulfo do Carmo, 74, fugiu em um Cross Fox branco. Ele foi preso pela Polícia Militar na altura da Quadra 8 do Park Way (veja foto abaixo).

Vizinhos do casal e funcionários do prédio contaram que ele costumava agredir a mulher. O filho, que não morava no local, vinha com frequência justamente para proteger a mãe. Ele é técnico judiciário do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).

Ao que tudo indica, houve uma grande discussão no apartamento que fica no primeiro andar. O homem disparou contra o filho e a mulher tentou defendê-lo, acabando morta. “É uma tragédia anunciada. Ela era uma coitada. O filho era maravilhoso, sempre defendia a mãe”, relatou uma testemunha.

O tenente Washington Romão, do Corpo de Bombeiros, disse que a mulher foi atingida na cabeça mais de uma vez. O filho foi atingido na região tronco abdominal. Ele teve uma hemorragia grave, que deixou a viatura cheia de sangue.

Foto cedida ao Metrópoles

 

De acordo com relatos de vizinhos, o autor do crime tinham uma arma, um revólver calibre .38. A filha está em estado de choque e pode ser levada ao hospital a qualquer momento. Os vizinhos contaram que ouviram muitos tiros. “Parecia um monte de balão estourando. Na hora, não sabia que era tiro”, disse uma mulher que pediu para não ter o nome divulgado.

Um dos porteiros acionou a PM. De acordo com ele, foram muitos tiros: “O som era muito alto”. O trabalhador contou ao Metrópoles que o suspeito saiu tranquilamente do edifício após cometer o crime e foi embora de carro.

O delegado Laércio Rosseto, da 2ª Delegacia de Polícia, foram identificados vários disparos nas paredes da sala e na cozinha. A mulher teria tentado fugir e caiu no hall do apartamento.

Veja o vídeo:

 

No Distrito Federal, foram registrados 519 casos de violência contra a mulher neste ano (dados até o dia 19/1). Em 2018, 27 mulheres morreram vítimas de feminicídio.

Este ano, uma mulher morreu assassinada pelo marido. A dona de casa Vanilma Martins foi assassinada a golpes de faca no dia 5.

Neste 2019, o Metrópoles inicia um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras. (Colaborou Rebeca Borges)

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