Avó de homem que matou a esposa: “Não sabemos de onde saiu essa ira”

Vizinhos e familiares foram surpreendidos com feminicídio e dizem ainda não acreditar. Thiago de Souza Joaquim, 33 anos, foi preso pela PCDF

atualizado 10/01/2019 12:15

A família de Thiago de Souza Joaquim, 33 anos, acusado do feminicídio da esposa, Vanilma Martins dos Santos, 30, no Gama, diz estar “acabada” e em “estado de choque”. De acordo com a dona de casa Maria de Fátima Silva, 65, avó paterna de Thiago, a relação do casal sempre foi tranquila.

“Tinham discussões normais, mas sem agressões. Não víamos nada disso. Ele sempre foi alegre, nunca arrumou briga com ninguém. Não sabemos de onde saiu essa ira”, afirma Maria de Fátima.

A casa onde Thiago morava, na companhia de esposa, filho, sobrinho e irmã, é muito próxima à residência de sua avó e tia paternas. De acordo com a dona de casa, a família fazia visitas com frequência. Todos eram muito próximos.

Segundo Maria de Fátima, Vanilma era uma pessoa sossegada e mantinha boa convivência com os parentes de Thiago. “Ela era maravilhosa, sem defeitos. Foi de tudo: ótima mãe, ótima esposa”, emociona-se. “Thiago, agora, ele vai pagar pelo erro, pois destruiu duas vidas: a de Vanilma e a dele próprio.”

Tia de Thiago, a cozinheira Patrícia Silva, 43, reafirma que o casal não dava nenhum sinal de ter problemas. “Não dizemos isso só porque somos família. É o que realmente víamos.” O delegado plantonista da 20ª Delegacia de Polícia (Gama), Vander Braga, confirmou que não havia histórico de agressão.

 

Patrícia conta que o filho de Thiago e Vanilma, de 3 anos, ainda não está a par do ocorrido. A criança está com a avó materna em uma chácara. Os familiares pretendem buscar orientação psicológica para lidar com a situação.

“É o tipo de coisa que não esperamos que vá acontecer com a gente, pois só se vê nos jornais”, lamenta Patrícia. “Na hora, não ouvimos nada. Ficamos sabendo no dia seguinte, quando estava cheio de policiais na casa deles.”

A família ressalta que, devido à divulgação do endereço onde se deu o crime, teme represálias. “Não temos controle sobre as ações dos outros. Muitos estão revoltados. Seria injusto se viessem e jogassem uma pedra no nosso portão”, reitera Patrícia.

Os vizinhos também se mostraram surpresos com o crime. Muitos afirmam jamais ter percebido qualquer coisa de diferente sobre o casal.

Conceição Mendes, 88, doméstica, vive há muitos anos no Gama. Ela diz que o casal era muito querido, trabalhador e pacífico. “Parecia tudo muito bem. Eram calados, na deles. Mas, pelo visto, não estava nada bem. Nunca imaginamos que algo assim pudesse acontecer.”

Preso
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu Thiago de Souza Joaquim. A investigação foi conduzida pela 20ª DP (Gama).

O crime ocorreu na madrugada de sábado (5/1), dentro da casa da família, na Quadra 8 do Gama Oeste. De acordo com a polícia, o homem estava embriagado e, por causa de uma acirrada discussão, teria atingido a companheira com uma facada. Ele chegou a socorrer a mulher, levou-a ao hospital e fugiu. A vítima não resistiu aos ferimentos e morreu.

Segundo o delegado Vander Braga, Thiago disse que retornou de uma pescaria, na noite de sexta (4), bêbado. A mulher teria reclamado do horário e do estado do marido, e ele, chateado, afirmou ter pegado uma faca na cozinha e “simulado” jogar nela. Porém, ainda de acordo com o agressor, o objeto teria escapulido de sua mão e atingido a esposa no tórax.

O delegado, entretanto, questionou a versão do suspeito: “É preciso ter sangue apache para acertar a facada a seis metros de distância no tórax”. Braga destacou ainda que o homem disse ter tirado a faca do peito da mulher durante o caminho para o hospital, para tentar estancar o sangue. Mas o objeto foi encontrado no telhado da casa.

Segundo o policial, Thiago e Vanilma eram casados há 10 anos. O homem não tem passagens pela polícia nem foi alvo de denúncia conforme a Lei Maria da Penha. Se condenado, o agressor pode pegar de 12 a 30 anos de prisão.

Durante 2019, o Metrópoles se dedicará a escrever todas as trajetórias de vida das mulheres que vão sangrar enlaçadas em relacionamentos nocivos. O olhar feminino e sensível das profissionais envolvidas no projeto irão humanizar as estatísticas frias, incapazes de criar empatia. Só ela pode interromper a indiferença diante das agressões à mulher. Um contador em destaque na capa do portal marca diariamente esses casos a fim de lembrar que há um longo caminho para acabar com esse ciclo de violência.

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