Uber libera opção de escolher motoristas mulheres em 13 capitais

Uber lança recurso que permite corridas com motoristas mulheres em 13 capitais após denúncias de assédio no transporte por aplicativo

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Pexels/Foto de Peter Fazekas
mulher dirigindo carro
1 de 1 mulher dirigindo carro - Foto: Pexels/Foto de Peter Fazekas

Em meio ao debate crescente sobre segurança feminina em aplicativos de transporte, a Uber anunciou a expansão do recurso Uber Mulher, ferramenta que permite que passageiras solicitem corridas preferencialmente com motoristas mulheres. A novidade começa a ser liberada gradualmente em 13 capitais brasileiras, incluindo Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.

A função surge após anos de discussões sobre relatos de assédio e episódios de violência durante corridas por aplicativo.

A proposta da empresa é dar mais autonomia às usuárias na escolha de quem dirige a viagem, aumentando a sensação de segurança durante o trajeto.

Segundo a Uber, a funcionalidade responde a um pedido antigo das passageiras.

“A ferramenta Uber Mulher é uma demanda antiga das brasileiras, que relatam sentir-se mais confortáveis ao encontrar uma motorista mulher na viagem”, informa a empresa ao Metrópoles.

Recurso começou como teste em cidades brasileiras

Antes da expansão para as capitais, o Uber Mulher passou por uma fase de testes iniciada em outubro do ano passado.

O recurso foi testado em sete cidades:

  • Piracicaba
  • Uberlândia
  • Curitiba
  • Campinas
  • São José dos Campos
  • Ribeirão Preto
  • Campo Grande

De acordo com a empresa, a experiência positiva das usuárias levou à nova fase de expansão.

“Agora expandimos a funcionalidade para 13 capitais do país e novas expansões serão avaliadas de forma gradual. A empresa acompanha atentamente a experiência das usuárias e motoristas parceiras para planejar as próximas etapas”, informa a Uber.

A companhia também afirma que ainda não há datas definidas para novas ondas de expansão para outras cidades.

Como funciona o Uber Mulher

A nova função aparece dentro do aplicativo e pode ser usada de três maneiras diferentes.

print das três formas de usar o Uber Mulher
A proposta é dar mais autonomia às usuárias na escolha de quem dirige a viagem

Corrida imediata com motorista mulher

Ao pedir uma corrida, a passageira pode selecionar a opção Uber Mulher. O aplicativo, então, tenta conectar a viagem com uma motorista mulher próxima. Caso o tempo de espera fique muito alto, a usuária pode escolher entre continuar aguardando uma motorista ou solicitar o motorista mais próximo disponível.

Corridas agendadas

A função também pode ser utilizada no Uber Reserve, ferramenta que permite agendar corridas com pelo menos 30 minutos de antecedência.

Preferência permanente por condutoras

Também é possível ativar uma configuração de preferência no aplicativo. Nesse modo, sempre que houver uma motorista disponível, o sistema prioriza condutoras nas corridas da categoria UberX.

Quais capitais o recurso será liberado?

A expansão inicial acontece nas seguintes cidades:

  • São Paulo
  • Rio de Janeiro
  • Belo Horizonte
  • Brasília
  • Salvador
  • Recife
  • Fortaleza
  • Manaus
  • Belém
  • João Pessoa
  • Goiânia
  • São Luís
  • Cuiabá

Segundo a Uber, a liberação acontece gradualmente dentro do aplicativo, então algumas usuárias podem ver o recurso antes de outras.

O problema do assédio nos deslocamentos

A criação da ferramenta também está ligada a um cenário preocupante envolvendo violência de gênero na mobilidade urbana.

Uma pesquisa apoiada pela Uber e realizada pelo Instituto Patrícia Galvão mostra que o medo ainda faz parte da rotina de deslocamento das mulheres no país.

Os dados apontam que:

  • 97% das brasileiras sentem medo de sofrer violência ao se deslocar pela cidade.
  • 71% já sofreram algum tipo de violência nesse contexto.
  • Os episódios acontecem principalmente a pé (73%) e no ônibus (45%).

Para especialistas, ferramentas de escolha de motorista podem aumentar a sensação de controle e segurança, embora não eliminem totalmente o problema.

Ainda existem poucas motoristas mulheres

Um dos desafios do novo recurso é o baixo número de condutoras na plataforma. Segundo a Uber, o número de motoristas mulheres cresceu mais de 160% nos últimos anos, e mesmo assim, elas representam apenas cerca de 8% da base de motoristas no Brasil. Isso significa que o tempo de espera por uma motorista mulher pode ser maior em algumas regiões.

A empresa afirma que a nova função também busca estimular mais mulheres a dirigir na plataforma.

“A Uber continuará investindo em iniciativas para que mais mulheres vejam aqui uma oportunidade de geração de renda”, informou a companhia.

A empresa afirma ainda que o Uber Mulher é apenas uma das frentes de segurança voltadas às passageiras. Atualmente, o aplicativo conta com ferramentas que atuam antes, durante e depois da corrida, como:

  • Verificação de identidade do motorista.
  • Compartilhamento de trajeto em tempo real.
  • Botão de emergência.
  • Suporte dentro do aplicativo.

Além disso, desde 2018, a Uber mantém um compromisso público de enfrentamento à violência contra a mulher, com parcerias com especialistas e autoridades. Uma dessas iniciativas foi criada com o movimento MeToo, que resultou em um canal de suporte psicológico para vítimas de violência de gênero ou condutas discriminatórias dentro da plataforma.

Violência contra mulheres em aplicativos e deslocamentos

Embora aplicativos de transporte tenham ampliado opções de mobilidade nas cidades brasileiras, casos de violência e assédio também já foram registrados dentro dessas plataformas.

Dados divulgados em relatórios internacionais de segurança da própria Uber mostram que milhares de denúncias de agressão sexual e comportamento inadequado foram registradas ao longo dos últimos anos em viagens intermediadas pelo aplicativo.

No Brasil, os registros oficiais são mais difíceis de consolidar porque nem todos os casos chegam à polícia ou são classificados separadamente por tipo de transporte. Ainda assim, dados de segurança pública indicam que a violência contra mulheres continua em níveis elevados no país.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou mais de 74 mil casos de estupro em 2023, o maior número já contabilizado no país. A maioria das vítimas é mulher e grande parte das ocorrências acontece em contextos de deslocamento ou vulnerabilidade.

Outro levantamento do mesmo órgão mostra que:

  • Uma mulher é vítima de estupro no Brasil a cada cerca de 7 minutos.
  • Mais de 60% das vítimas têm menos de 14 anos.
  • A maior parte dos crimes ocorre em ambientes cotidianos ou durante deslocamentos.

Especialistas em segurança pública apontam que a subnotificação ainda é um problema significativo, especialmente em casos de assédio ou violência ocorridos em transportes.

Nesse contexto, iniciativas como o Uber Mulher são vistas como uma tentativa de reduzir riscos e ampliar a sensação de segurança durante as corridas, embora pesquisadores alertem que o enfrentamento da violência de gênero exige ações mais amplas de toda a sociedade.

Em meio a números alarmantes de violência contra mulheres no Brasil, a possibilidade de escolher quem dirige a corrida surge como uma tentativa de devolver às passageiras algo que muitas ainda sentem faltar ao se deslocar pelas cidades: a sensação de segurança.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comVida & Estilo

Você quer ficar por dentro das notícias de vida & estilo e receber notificações em tempo real?