SP tem um registro de violência contra a mulher a cada dois minutos. Veja vídeo

Secretaria da Segurança Pública (SSP) teve mais de 281 mil registros de violência contra a mulher, incluindo feminicídios, estupros e lesões

atualizado

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W Prasongsin Stulio/Getty Images
Foto genérica para matérias sobre violência contra mulher, feminicídio, abuso.
1 de 1 Foto genérica para matérias sobre violência contra mulher, feminicídio, abuso. - Foto: W Prasongsin Stulio/Getty Images

O estado de São Paulo teve um registro de violência contra a mulher a cada dois minutos no ano passado. Os dados fazem parte das estatísticas oficiais da Secretaria da Segurança Pública (SSP) e mostram que foram mais de 281 mil boletins de ocorrência por feminicídio, estupro e lesão corporal, entre outros, como calúnia e ameaça.

Vale ressaltar que não constam no levantamento baseado nos dados oficiais crimes contra o patrimônio, como roubo, latrocínio ou extorsão mediante sequestro, onde também há violência contra a vítima.

Em meio a tantos ataques, as cidades viram “campo minado” para as mulheres. “Acho que, como mulher, temos medo de todas as pessoas que passam por você, porque tudo pode representar uma ameaça. O tempo inteiro em que a gente anda na rua se sente desprotegida. Se tiver um pessoal passando a seu lado, atrás de você, todo olhar, toda sombra, podem ser um perigo. Então, tenho medo de andar na rua, basicamente”, afirma a estudante Maila Maricato, 20 anos.

Os números da SSP sustentam a posição da estudante e mostram ainda uma tendência distinta entre os homicídios em geral e aqueles em que vítimas foram exclusivamente mulheres. Enquanto os assassinatos tiveram queda de 3,1% (de 2.517 para 2.438), aqueles contra mulheres especificamente (incluindo feminicídios, mas não apenas) cresceram 6,4% (421 para 448), na comparação entre 2024 e 2025.

Destaca-se também a quantidade de ameaças sofridas e registradas por mulheres no estado de São Paulo no ano passado. Foram quase 100 mil casos (98.820).

A Polícia Civil também registrou quase 70 mil boletins de ocorrência por lesões corporais dolosas contra mulheres. Foram 68.842 agressões ao longo dos 12 meses do ano.

A violência não se resume aos danos físicos. Palavras também compõe o quadro de intimidação contra as mulheres. Segundo os dados oficiais, calúnias, injúrias e difamações representam mais de 77 mil casos.

Medo

Questionar mulheres nas ruas para falar sobre seus próprios medos é notar, já no início da pergunta, um sorriso que revela desconforto diante de tantas ameaças sofridas no dia a dia, seja nas ruas ou em casa.

A cozinheira Elizete Maria de Jesus, 54 anos, afirma que a violência está demais, de forma generalizada. “Em tudo quanto é lugar, o medo de ser assaltada, ser atacada de maneira geral. Você não anda mais tranquila. Em qualquer lugar, está assustada, tem medo, não fica mais à vontade”, diz.

A body piercer Talita Porto Mendonça, 31 anos, diz que há risco em qualquer horário. “Tenho medo tanto de sair à noite, só com as minhas amigas, sem amigos homens, até mesmo agora, à tarde, de ser assediada. Tudo me deixa um pouco paranoica. Já fico olhando para os caras, me protegendo. Pode ser 14h ou 21h, para mim é perigoso do mesmo jeito”, diz a body piercer.

Os deslocamentos pela cidade no transporte público também oferecem riscos, como conta a estudante Bruna Mascher, 36 anos. “É sempre muito lotado, e a gente vê frequentemente algumas atitudes questionáveis do sexo masculino. Isso é o que mais me deixa com essa ansiedade, sempre muito alerta com o que está ao me redor, com as atitudes maliciosas”, afirma.

A advogada Laís Almeida Mota, 27 anos, afirma que São Paulo é uma cidade insegura e o Brasil é um dos países como maior índice de feminicídio. “Só pelo fato de ser mulher, já existe uma violência de gênero explícita. Então, por causa disso, é preocupante a forma como o país se encontra, como a cidade lida com a segurança pública. A segurança me faz repensar todas as vezes em que venho para a cidade de São Paulo”, afirma.

O que diz da SSP

A Secretaria da Segurança Pública afirma que o estado de São Paulo é pioneiro na criação e na implementação de políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher, com ações voltadas à ampliação do acesso, à proteção das vítimas e ao fortalecimento da rede de atendimento.

“Na atual gestão, foram inauguradas as Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) de Ferraz de Vasconcelos e Paulínia, totalizando 142 unidades territoriais no estado. Desse total, 18 funcionam em regime de plantão 24 horas — sendo dez no interior, sete na capital e uma na região metropolitana”, diz, em nota.

Segundo a SSP, o governo implantou 111 Salas DDMs desde 2023, sendo 15 naquele ano, 77 em 2024, 16 em 2025 e três em 2026. O estado conta com 173 Salas DDMs e, nessas unidades, as vítimas são atendidas por videoconferência por equipes da DDM Online, assegurando atendimento ininterrupto, conforme previsto na Lei Federal nº 14.541/23.

Entre outras medidas, São Paulo tem promovido o tornozelamento de agressões de mulheres. Desde setembro de 2023, o equipamento já foi utilizado por 712 agressores, dos quais 189 permanecem ativos. “Além disso, possibilitou a condução à delegacia de 211 autores, dos quais 120 permaneceram presos por descumprimentos de medidas protetivas”, diz.

O App SP Mulher Segura conecta mulheres em situação de risco com a polícia e conta com 45,7 mil usuárias, tendo registrado 9,6 mil acionamentos do botão do pânico. A SSP destaca ainda outras medidas tomadas para proteger mulheres.

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