Tendência “cigarrete girl” gera debates sobre romantização do cigarro

A tendência “cigarette girl” ressurge associada a um ideal de comportamento “cool”, mas também levanta debate sobre os riscos à saúde

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

A24/Reprodução
a-g-cook---residue-kylie-jenner-charli-xcx - metrópoles
1 de 1 a-g-cook---residue-kylie-jenner-charli-xcx - metrópoles - Foto: A24/Reprodução

Quem costuma navegar por plataformas como TikTok e Pinterest já deve ter se deparado com hashtags como #cigarettegirl e #smokepose. Imagens de artistas e influenciadoras, como Hailey Bieber e Kylie Jenner, posando com cigarros voltaram a circular nas redes como símbolos de rebeldia, melancolia e sensualidade.

Ao que tudo indica, essa estética ressurge associada a um ideal de comportamento “cool” e nostálgico, o que reacende debates sobre os impactos da romantização do cigarro.

Tendência “cigarrete girl” gera debates sobre romantização do cigarro - destaque galeria
6 imagens
Hailey Bieber
Sabrina Carpenter em editorial após o lançamento do último álbum, Man´s Best Friend
Além de editorias, algumas celebridades têm compartilhado fotos com cigarro em momentos de festas e viagens suas redes sociais
Anitta
Kylie Jenner em editorial
Histórico tabagista de Kylie foi relembrado na web
1 de 6

Histórico tabagista de Kylie foi relembrado na web

@kyliejenner/Instagram/Reprodução
Hailey Bieber
2 de 6

Hailey Bieber

@haileybieber/Instagram/Reprodução
Sabrina Carpenter em editorial após o lançamento do último álbum, Man´s Best Friend
3 de 6

Sabrina Carpenter em editorial após o lançamento do último álbum, Man´s Best Friend

@sabrinacarpenter/Instagram/Reprodução
Além de editorias, algumas celebridades têm compartilhado fotos com cigarro em momentos de festas e viagens suas redes sociais
4 de 6

Além de editorias, algumas celebridades têm compartilhado fotos com cigarro em momentos de festas e viagens suas redes sociais

@dualipa/Instagram/Reprodução
Anitta
5 de 6

Anitta

Reprodução/Youtube
Kylie Jenner em editorial
6 de 6

Kylie Jenner em editorial

@kyliejenner/Instagram/Reprodução

Enquanto campanhas antitabagismo crescem, o número de adultos fumantes voltou a crescer.

Dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas (Vigitel) mostram que a taxa de fumantes voltou a subir de 9,3% para 11,6%. Em relação aos jovens, o consumo do tabaco ganhou ainda mais força com a popularização dos cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes ou pods.

Influência emocional

Para a psicóloga Mariana Ramos, o retorno de tendências como a #cigarettegirl nas redes sociais tem relação com algo muito maior do que o cigarro em si: a necessidade humana de pertencimento, identidade e validação social.

“Em diferentes épocas, determinados comportamentos passam a ser associados a ideias de charme, liberdade, sensualidade, mistério ou rebeldia. No contexto digital atual, imagens esteticamente produzidas têm um enorme poder de influência emocional, principalmente entre adolescentes e jovens adultos, que ainda estão construindo sua identidade psíquica e social”, explica.

Sabrina Carpenter - Metrópoles
Sabrina Carpenter

Segundo Mariana, é importante compreender que o ser humano não se conecta apenas com objetos ou comportamentos, mas com os significados simbólicos atribuídos a eles. O cigarro, por exemplo, foi utilizado pela mídia, pelo cinema e pela publicidade como um símbolo de autonomia, sofisticação, poder e até sedução durante muitos antes.

Embora tenhamos avançado muito nas campanhas de conscientização sobre os danos do tabagismo, as redes sociais frequentemente resgatam elementos visuais do passado e os transformam em tendência estética, muitas vezes desconectando a imagem das consequências reais.

Mariana Ramos

Riscos da tendência

Ao se deparar com conteúdos romantizando o ato de fumar, a professora de psicologia na Afya Centro Universitário Itaperuna explica que existe o risco da banalização de um comportamento nocivo à saúde física e mental. O tema é especialmente delicado na adolescência, fase marcada por intensa busca de experimentação e necessidade de aceitação grupal.

“O jovem tende a absorver referências culturais de forma emocional antes mesmo de elaborar racionalmente os riscos envolvidos.”

Além disso, o cérebro adolescente apresenta características neurobiológicas específicas: áreas relacionadas à impulsividade, recompensa imediata e busca por novidade estão muito ativas, enquanto regiões ligadas à avaliação de consequências ainda estão em amadurecimento.

“Em um cenário de aumento da ansiedade, solidão e insegurança, algumas pessoas podem buscar no cigarro uma sensação de pertencimento, alívio ou identidade. Inicialmente parece controle ou liberdade, mas pode se transformar em dependência física e emocional”, ressalta Mariana.

Close de um jovem/adolescente em pé perto da janela fumando um cigarro em casa. Metrópoles
O que é bonito nas redes nem sempre é saudável na vida real

Quais referências queremos fortalecer para as próximas gerações?

De acordo com a psicóloga Mariana Ramos, socialmente, houve um longo processo de conscientização coletiva sobre os impactos do tabagismo. Quando hábitos comprovadamente prejudiciais voltam a ser tratados como elementos de estética ou status social, existe um enfraquecimento simbólico desse processo educativo.

Porém, isso não significa demonizar pessoas que fumam, culpabilizar jovens ou negar a complexidade do comportamento humano.

“Pelo contrário, a psicologia nos ensina que compreender é mais eficaz do que julgar. Precisamos promover educação emocional, pensamento crítico e espaços de diálogo onde adolescentes e adultos possam refletir sobre influência social, autoestima, pertencimento e saúde mental.

Além disso, vale ressaltar: o que é bonito nas redes nem sempre é saudável na vida real.

“Em tempos em que tendências digitais moldam comportamentos rapidamente, talvez a grande reflexão seja: o que estamos romantizando sem perceber as consequências? E mais importante: quais referências queremos fortalecer para as próximas gerações?”, finaliza a expert.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações