Sergio Camargo no DF: tabuleiro de xadrez vira ícone em exposição
Peças interativas de xadrez inspiradas na obra do escultor atraem estudantes e propõem diálogo entre a lógica do jogo e a arte moderna
atualizado
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No coração do foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional Cláudio Santoro, um elemento lúdico tem roubado a cena na megaexposição do escultor Sergio Camargo. O grande tabuleiro de xadrez, posicionado estrategicamente no centro da mostra “É Pau, É Pedra…”, tornou-se o ponto alto das visitas escolares no Distrito Federal. Mais do que observar, as crianças são convidadas a tocar e aprender a lógica das peças, transformando a contemplação artística em uma experiência intelectual ativa que conecta o legado do artista às novas gerações.
Transparência – Projeto É Pau, É Pedra – Sergio Camargo
Entenda
- Integração lúdica: a exposição oferece três reproduções de jogos de xadrez para que o público possa, de fato, jogar e experimentar as peças.
- Marcos da carreira: o xadrez entrou na produção de Camargo em 1973, marcando o início de sua fase de pesquisa com a pedra negra.
- Lógica artística: para o escultor, o jogo e a arte compartilham a necessidade de concentração e o arranjo preciso de elementos.
- Magnitude da obra: a mostra, promovida pelo Metrópoles, reúne cerca de 200 obras organizadas em núcleos que explicam a trajetória do artista.
O xadrez como extensão da escultura
A relação de Sergio Camargo com o tabuleiro não é meramente decorativa. Em 1973, ao aceitar uma encomenda para desenhar um jogo de xadrez, o artista encontrou um paralelo perfeito para sua própria pesquisa estética. Assim como em suas famosas esculturas de mármore e madeira, o xadrez exige atenção rigorosa ao olhar e a combinação exata de formas para que novas possibilidades surjam.
Diferente do entretenimento efêmero, as peças de Camargo convidam à “observação paciente”. No foyer do Teatro Nacional, esse convite é aceito diariamente por centenas de alunos da rede de ensino do DF, que veem no tabuleiro gigante uma porta de entrada para o universo geométrico e monocromático do autor.
Pedagogia do olhar: o sucesso entre as escolas
Com o aumento do fluxo de visitas guiadas, o xadrez tornou-se uma ferramenta pedagógica. Professores e monitores utilizam o jogo para explicar como a arte de Camargo busca o “pensamento cuidadoso”. As crianças demonstram fascínio ao perceber que as esculturas espalhadas pelo salão e as peças que elas movimentam no tabuleiro seguem uma mesma gramática visual de luz, sombra e volume.
A exposição apresenta três reproduções dos jogos criados por Camargo ao longo de sua carreira, permitindo que a “imaginação tátil” guie o visitante pelas inúmeras combinações de movimentos possíveis, tanto no jogo quanto na interpretação da obra.
Exposição É Pau, É Pedra…
A mostra “É Pau, É Pedra…” é uma oportunidade rara de compreender a amplitude e a coerência da pesquisa de Sergio Camargo em solo brasiliense. Organizada em núcleos que facilitam a compreensão do público leigo, a exposição segue em cartaz até o dia 13 de março no Foyer do Teatro Nacional Claudio Santoro.
A iniciativa reafirma a importância de espaços culturais que permitem a interação direta, quebrando a barreira da “obra intocável” e transformando o Teatro Nacional em um grande campo de raciocínio e beleza.
A exposição conta com o patrocínio dos Cartões Caixa e Visa Infinite, além do apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.
Serviço
Exposição É Pau, é Pedra…, de Sergio Camargo, realizada pelo Metrópoles
Visitação de 10 de dezembro a 13 de março, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
De quarta-feira a segunda-feira, das 12h às 20h (terça-feira fechado para manutenção do Teatro)



























