Sergio Camargo no DF: mostra recebe alunos de escola de Santa Maria. Veja vídeo
Alunos de escola referência em ensino inclusivo visitam a mostra É Pau, É Pedra…, do escultor Sergio Camargo, em dia de imersão cultural
atualizado
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No cenário educacional brasileiro, o acesso a museus e centros culturais ainda é um privilégio distante para muitos jovens. Para romper essa barreira e democratizar a arte no Distrito Federal, a exposição É Pau, É Pedra…, dedicada ao renomado escultor Sergio Camargo, abriu as portas nesta quarta-feira (4/3) para mais de 260 alunos do CEF 103 de Santa Maria. A mostra, realizada pelo Metrópoles, ocupa o icônico Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional Claudio Santoro, oferecendo uma experiência sensorial e pedagógica gratuita que vai até 13 de março.
Transparência – Projeto É Pau, É Pedra – Sergio Camargo
Uma manhã de descobertas e acessibilidade
Para mais de 130 estudantes do CEF 103, a manhã de quarta-feira não foi apenas uma aula fora da sala, mas a primeira vez cruzando as portas do Teatro Nacional. Entre as esculturas de mármore e madeira de Sergio Camargo, os alunos puderam explorar conceitos de estética e forma.
A estudante Micaele Caroline Souza, do EJA, não escondeu o entusiasmo ao percorrer o foyer. “Eu gostei muito das obras de arte do Sergio Camargo. Eu amo arte”, afirmou, elogiando também a estrutura do teatro. “Achei bonito as plantas, as cadeiras… é tudo muito legal”.
O sentimento foi compartilhado por Suelen Pereira de Souza, também aluna do EJA, que se encantou com a integração entre as obras e as poesias estampadas nas colunas do teatro.
“Estou muito feliz em ver as pessoas olhando. Gosto das pinturas e de estar aqui com meus colegas”, celebrou.

O papel da arte na formação integral
A exposição não serviu apenas como deleite visual, mas como ferramenta pedagógica. A professora de português, Elismária Araújo de Oliveira, destacou a importância de levar os alunos para além dos muros da escola em Santa Maria.
“Conseguimos estabelecer a chamada práxis: a união entre teoria e prática. Muitos me perguntavam sobre apreciação estética e aqui pude dar o exemplo palpável. A cultura é fundamental para a formação integral, preparando-os não só para o mercado, mas para a vida e para a sensibilidade artística”, explicou a docente.

Sobre o desafio de trazer alunos atípicos para um ambiente de exposição, Elismária reforçou que a preparação da equipe é a chave para o sucesso. “Sabemos que muitos estímulos podem trazer desconforto, mas nossos monitores e professores são capacitados para auxiliar nessa imersão e socialização”, pontuou.
Conexão com a história e a natureza
A harmonia entre as obras de Camargo e o projeto paisagístico do foyer chamou a atenção de Nathally Hadassa, do sexto ano. “As esculturas combinaram muito com as plantas e a natureza. A gente aprende muito lendo as instruções”, disse a jovem, que visitou o Teatro Nacional pela primeira vez.

Para Pedro Miguel Silva e Kaio Henrique Souza, ambos do oitavo ano, a experiência foi “limpa e significativa”. Pedro, que via o teatro apenas de longe quando passava com a mãe, pôde finalmente conhecer o interior do monumento.
“A estrutura é muito boa e a história dele [Sergio Camargo] sobre os prêmios que recebeu é muito boa. Queríamos que tivesse mais passeios assim”, resumiu Kaio.

A mostra continua sendo um ponto de encontro entre a educação pública e a alta cultura, reafirmando o compromisso de democratizar espaços que, por muito tempo, pareceram inacessíveis à periferia do Distrito Federal.
Turno vespertino
Na parte da tarde, alunos do sétimo ano da mesma escola visitaram a exposição inédita com um olhar apurado. Milca Abreu da Silva, professora de artes, destacou que trazer as crianças para um espaço como esse estimula a criatividade e o senso crítico.
“Amplia o repertório cultural e faz com que elas vejam o mundo de uma forma diferente”, comentou. “Quando participam com a escola, eles conseguem visualizar outros ambientes e conhecer coisas que talvez a família não leve para conhecer.”

Já a professora Milena de Almeida Rodrigues salientou que o movimento de sair da sala de aula para percorrer a cidade e espaços culturais é essencial. “Nesse mundo tão acelerado e dominado pelas redes sociais, que eles tenham um espaço de foco, de letramento visual, para pensar e contemplar. E também para conhecer o patrimônio cultural brasileiro.”

Enzo Manuel, de 12 anos, que está no sétimo ano no ensino fundamental revelou que gostou muito da visita e que foi sua primeira vez no Teatro Nacional e em uma exposição de arte. “Gostei muito de vir aqui. O trajeto foi legal e as obras também chamaram bastante a minha atenção.”

Abaixo, confira mais fotos das visitas:








Exposição É Pau, É Pedra…
A exposição É Pau, É Pedra… do escultor Sergio Camargo, segue em cartaz até 13 de março, no Foyer do Teatro Nacional Claudio Santoro. Promovida pelo Metrópoles, conta com cerca de 200 obras separadas em núcleos — um convite para o público compreender a coerência e a amplitude da pesquisa do artista.
O projeto reafirma o compromisso do portal com a difusão e valorização da cultura brasileira em suas múltiplas expressões.
Ao ocupar um espaço de alta relevância simbólica e arquitetônica, a mostra amplia o diálogo entre arte contemporânea, memória cultural e vida urbana, consolidando o veículo como um agente ativo na promoção de experiências culturais na capital federal.
A exposição conta com o patrocínio dos Cartões Caixa e Visa Infinite, além do apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.
Serviço
Exposição É Pau, é Pedra…, de Sergio Camargo, realizada pelo Metrópoles
Visitação de 10 de dezembro a 13 de março, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
De quarta-feira a segunda-feira, das 12h às 20h (terça-feira fechado para manutenção do Teatro)
