Páscoa: quem usa caneta emagrecedora pode comer chocolate?
Especialista explica como o uso de canetas emagrecedoras como Ozempic e Mounjaro exige consumo consciente para evitar efeitos colaterais
atualizado
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Com a popularização de medicamentos análogos de GLP-1 para o tratamento da obesidade e do sobrepeso, a proximidade da Páscoa desperta uma dúvida comum nos consultórios: é permitido consumir chocolate durante o tratamento? De acordo com a nutróloga Sabrina Guerreiro, coordenadora clínica da Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional do Hospital Badim/Rede D’Or, a resposta é positiva, desde que haja moderação e estratégia.
O segredo, segundo a especialista, reside em aproveitar a saciedade prolongada proporcionada pelas “canetas” para reeducar o paladar e evitar desconfortos gastrointestinais.
Entenda
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Ação do medicamento: fármacos como Ozempic e Mounjaro mimetizam hormônios que retardam o esvaziamento gástrico, aumentando a saciedade.
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Risco de excessos: o consumo de alimentos ricos em gordura e açúcar (como ovos recheados) pode causar náuseas e refluxo severo devido à digestão lenta.
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Qualidade importa: a prioridade deve ser o chocolate amargo (acima de 70% cacau), rico em flavonoides e minerais, com menor teor de açúcar.
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Estratégia de consumo: ingerir o doce após refeições equilibradas ajuda a reduzir o índice glicêmico e evita picos de insulina.
O papel da saciedade no feriado
A principal função das canetas emagrecedoras é simular a ação de hormônios intestinais que sinalizam ao cérebro que o corpo está satisfeito. “O paciente deve usar esse sinal de satisfação como aliado para controlar as porções e aproveitar o melhor do cacau”, explica Sabrina. Segundo ela, o tratamento não visa a proibição restritiva, mas a construção de uma relação consciente com a comida.
Além do prazer sensorial, o chocolate amargo oferece benefícios reais. “O cacau é rico em antioxidantes que combatem radicais livres, além de conter magnésio, cobre e zinco”, destaca a nutróloga. Contudo, para colher esses benefícios sem sofrer com os efeitos colaterais da medicação, é preciso seguir diretrizes específicas.

Guia para uma Páscoa sem desconfortos
Para quem deseja aproveitar o feriado sem comprometer o tratamento ou o bem-estar, Sabrina elenca recomendações fundamentais:
1. O poder do cacau 70%
Opte por versões com alta concentração de cacau. Além de possuírem menos açúcar, o sabor intenso promove satisfação com volumes menores.
2. Fracionamento é a chave
Devido à digestão mais lenta causada pelo remédio, grandes porções podem gerar sensação de “estômago pesado”. Um ou dois quadradinhos costumam ser suficientes para sanar o desejo.
3. Cuidado com os recheios
Ovos de colher, recheados com caramelo ou cremes gordurosos, são gatilhos para enjoos. “Alimentos muito gordurosos podem aumentar drasticamente a sensação de mal-estar em quem usa esses medicamentos”, alerta a médica.

4. Associações inteligentes
Combinar o chocolate com fibras (frutas como morango e kiwi) ou oleaginosas (castanhas e nozes) ajuda a aumentar a saciedade e melhora o perfil nutricional da ingestão.
5. Jamais em jejum
Consumir o doce após uma refeição completa — que contenha proteínas e fibras — garante que a absorção do açúcar ocorra de forma gradual, evitando mal-estar súbito.

6. Escuta ativa do corpo
A medicação torna a percepção de saciedade mais evidente. Comer devagar permite que o cérebro processe o sinal de “chega” antes que o excesso cause náusea.
7. Planejamento pós-feriado
Caso ganhe muitos presentes, a orientação é o estoque estratégico: divida em pequenas porções para consumir ao longo das semanas, evitando o consumo imediato de grandes volumes.
Para a especialista, a Páscoa sob tratamento medicamentoso é uma oportunidade de aprendizado. “O objetivo não é eliminar o prazer, mas aprender a consumir com consciência e moderação”, finaliza Sabrina Guerreiro.






