“Bafo de Ozempic”: por que canetas para emagrecer alteram o hálito
O uso de semaglutida pode causar odor cetônico, o bafo, e boca seca, afetando a saúde bucal e a vida social dos pacientes em tratamento
atualizado
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O uso de medicamentos como o Ozempic, voltados ao controle do diabetes e à perda de peso, trouxe à tona um efeito colateral curioso, apelidado nas redes sociais de “bafo de Ozempic”. Embora o fenômeno cause desconforto e impacte a autoestima, ele possui explicações fisiológicas claras, ligadas tanto à mudança no metabolismo quanto à redução da produção de saliva. O problema, no entanto, vai além da estética e exige atenção à saúde bucal.
Entenda
- Estado de cetose: com a redução drástica de carboidratos, o corpo queima gordura para gerar energia, liberando cetonas que exalam um odor adocicado ou frutado.
- Redução da saliva: o medicamento pode causar xerostomia (boca seca), eliminando o mecanismo natural de limpeza e controle bacteriano da boca.
- Risco de doenças: a falta de salivação aumenta a vulnerabilidade dos dentes a cáries e das gengivas a inflamações (gengivite).
- Manejo clínico: o quadro é reversível e tratável por meio de protocolos específicos de hidratação e estimulação das glândulas salivares.
A química do hálito cetônico
De acordo com a cirurgiã-dentista Ilana Marques, o fenômeno está diretamente ligado ao novo padrão alimentar do paciente. Ao utilizar medicações que reduzem o apetite, o organismo frequentemente entra em um processo de queima de gordura como fonte primária de combustível.
“Quando a ingestão de carboidratos diminui muito, o organismo produz substâncias chamadas cetonas, que podem causar um hálito com odor diferente”, explica a especialista.
Esse aroma, muitas vezes descrito como “frutado”, é uma evidência metabólica de que o corpo está processando lipídios de forma acelerada, uma característica comum em dietas restritivas potencializadas pelo uso do fármaco.

O perigo da boca seca
Além da questão metabólica, a interferência direta nas glândulas salivares é uma preocupação recorrente. Segundo a especialista, muitos pacientes relatam uma diminuição significativa na produção de saliva durante o tratamento.
“A saliva é fundamental para a limpeza natural da boca e para o controle das bactérias responsáveis pelo mau hálito”, afirma Ilana.
A cirurgiã-dentista alerta que a boca seca não é apenas um incômodo social, mas um fator de risco clínico. Sem a proteção mineral e a limpeza mecânica da saliva, os dentes ficam mais expostos a lesões de cárie e as gengivas perdem sua principal barreira de defesa contra infecções.
Tratamento e conforto
Apesar do estigma que a condição pode gerar, a especialista tranquiliza os pacientes. O manejo da halitose e da xerostomia associada ao uso desses medicamentos já conta com protocolos eficazes. “Existem orientações específicas e tratamentos que ajudam a restabelecer o equilíbrio da boca e melhorar o conforto do paciente”, conclui Ilana Marques. O acompanhamento odontológico preventivo torna-se, portanto, um aliado essencial para quem faz uso de terapias para perda de peso.






