O perigo de ignorar a dor: médico cita os riscos de treinar com lesões

Médico do esporte alerta que a ausência de dor não garante cura e que o esforço precoce pode gerar danos irreversíveis

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O perigo de ignorar a dor: os riscos de treinar com lesões instaladas
1 de 1 O perigo de ignorar a dor: os riscos de treinar com lesões instaladas - Foto: Halfpoint Images via Getty Images

A narrativa de superação no esporte frequentemente exalta o atleta que “atropela” a dor em nome da vitória. No entanto, o que parece heroísmo pode ser o gatilho para o fim precoce de uma carreira ou a perda de mobilidade funcional. Segundo Sebastião J. Rodrigues Junior, médico do esporte e membro da comissão médica da Seleção Brasileira Feminina de Futebol Sub-17, o corpo humano não admite atalhos no processo de cicatrização. Ignorar os sinais biológicos de alerta transforma problemas simples em quadros crônicos de difícil reversão.

Entenda

  • Cicatrização interrompida: o retorno precoce impede que o tecido se reorganize, tornando a estrutura mais frágil e propensa a novas rupturas.

  • Compensações biomecânicas: para evitar a dor em um ponto, o corpo sobrecarrega outras articulações e músculos, criando novas lesões em cadeia.

  • Inflamação crônica: a insistência no esforço mantém o organismo em estado inflamatório constante, danificando permanentemente cartilagens e tendões.

  • Falsa sensação de cura: a redução da dor não significa recuperação total; a falta de força e estabilidade indica que o risco de lesão grave persiste.

A armadilha da “ausência de dor”

Um dos maiores erros cometidos tanto por atletas profissionais quanto por amadores é utilizar o fim da dor como único critério para o retorno às atividades. “A ausência de dor não significa necessariamente que houve recuperação completa”, adverte Sebastião.

Ele explica que o organismo emite sinais claros, como rigidez persistente, inchaço após o esforço e insegurança em movimentos específicos, que frequentemente são ignorados em nome da disciplina.

Segundo o especialista, quando o processo de cura é interrompido pelo esforço físico, o tecido lesionado não consegue completar sua regeneração. O resultado é um tecido cicatricial de má qualidade, que deixa o atleta vulnerável a lesões ainda mais severas, como rupturas ligamentares totais, que exigem intervenções cirúrgicas complexas.

Lesão no joelho de mulher levantando barra no ginásio. Problema de saúde, entorse ligamentar, estresse e dor, lesão
A ausência de dor não significa necessariamente que houve recuperação completa

Profissionais vs. amadores: o peso do suporte

A diferença entre um jogador de elite e um praticante de lazer que decidem jogar lesionados reside no monitoramento. Enquanto profissionais são cercados por equipes multidisciplinares e testes funcionais rigorosos, o amador costuma basear sua decisão em critérios subjetivos.

“O que pode ser um ‘risco calculado’ para um profissional tende a ser uma decisão pouco segura para quem pratica esporte apenas por lazer”, pontua o médico.

Para o atleta de alto rendimento, o desafio é equilibrar a pressão por resultados com a longevidade da carreira. Já para quem busca saúde, o risco de uma lesão crônica pode significar o afastamento definitivo de atividades simples do cotidiano.

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A busca pela longevidade

Para evitar danos permanentes, a recomendação é o respeito rigoroso ao tempo biológico e a manutenção de uma comunicação transparente entre treinadores e médicos. No cenário profissional, a mudança cultural já começa a priorizar a preservação da saúde a longo prazo sobre o desempenho imediato.

Para o público geral, o alerta é claro: o repouso e a reabilitação adequada não são sinais de fraqueza, mas sim o único caminho seguro para continuar em movimento por muitos anos.

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