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O “boom” da manteiga: por que pais estão dando o alimento puro a bebês

Movimento defende o uso de manteiga, gordura animal de alta qualidade, para o desenvolvimento infantil, mas pediatras alertam para riscos

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Porção de manteiga com faca ao lado - Metrópoles
1 de 1 Porção de manteiga com faca ao lado - Metrópoles - Foto: Pexels

O que começou como uma dieta alternativa em nichos específicos está ganhando força nas redes sociais: o consumo de manteiga pura por bebês. Pais adeptos da tendência, inspirados pelo movimento “baby carnivore” (bebê carnívoro), defendem que o alimento — desde que proveniente de vacas alimentadas com pasto — é um superalimento essencial para o crescimento. No entanto, o hábito divide opiniões entre o entusiasmo de influenciadores e a cautela de especialistas médicos.

Entenda

  • O movimento: pais substituem lanches processados por pedaços de manteiga artesanal ou importada, visando densidade nutricional.
  • Os benefícios alegados: defensores afirmam que a gordura animal melhora o sono, a pele e o desenvolvimento cerebral e nervoso das crianças.
  • A visão médica: pediatras confirmam a importância das gorduras na infância, mas alertam para o risco de asfixia e a falta de equilíbrio dietético.
  • A polêmica: enquanto mães relatam ataques e acusações de “abuso” na internet, elas rebatem criticando o consumo de alimentos ultraprocessados.

Luxo no cardápio infantil

Para Angela Campbell, de 29 anos, a rotina alimentar da filha de 17 meses inclui um item inusitado: manteiga da Nova Zelândia que custa cerca de 12 dólares. “Ela adora e pede por isso o tempo todo”, relata a ex-enfermeira ao The Post. O hábito é compartilhado por Natalie Evans, de 28 anos, cujo filho de 11 meses consome manteiga orgânica e sardinhas em vez de cereais ou biscoitos.

@angiecamp96 She literally asks for this over and over again. 😅😅 #butter #brainhealth #healthyfats #babybrainfood #babyeats ♬ Sweet Daydreams – Kim Audio

Ambas fazem parte de uma onda que prioriza alimentos integrais de origem animal. Elas acreditam que as vitaminas A, E e K, além dos ácidos graxos ômega-3 presentes na manteiga de alta qualidade, são os responsáveis pela saúde e pelo desenvolvimento precoce de seus filhos.

@the_nk_way We ❤️ Saturated Fats! Did you know that breastmilk contains over 50 percent of calories as fat, much of it saturated? Butter is a great addition to any baby’s diet! Just make sure to choose a pasture raised organic option free of any additives or additional ingredients 😊 #butter #babyfood #ancestral ♬ original sound – Eyeconic Printz

O que diz a ciência sobre a gordura

A Academia Americana de Pediatria corrobora, em parte, a importância do nutriente. Segundo relatórios da instituição, crianças entre 1 e 3 anos devem obter de 30% a 40% de suas calorias diárias a partir de gorduras. Diferente dos adultos, crianças menores de 2 anos não devem ter restrições severas de gordura saturada ou colesterol, pois esses elementos são fundamentais para a energia e o crescimento.

Contudo, especialistas fazem ressalvas importantes. “A comida de origem animal pode ser segura, mas com moderação”, explica a gastroenterologista pediátrica Bridget Kiernan. Em entrevista ao The Post, ela recomenda uma dieta equilibrada onde a gordura divida espaço proporcional com proteínas, carboidratos e fibras.

Imagem colorida de azeite e manteiga na mesa
A manteiga é fonte de vitaminas lipossolúveis como A, D, E e K

Entre benefícios e perigos reais

Embora a manteiga ajude no desenvolvimento cerebral, médicos contestam as propriedades “milagrosas” sobre o sono e a pele. Amanda Furr, diretora médica da Zarminali Pediatrics, alerta para um perigo imediato: a asfixia.

“A manteiga sozinha tem baixa viscosidade. Ela pode escorregar para os pulmões da criança antes que ela consiga coordenar a deglutição”, alerta a médica ao portal internacional.

Furr sugere que, em vez de oferecer palitos de manteiga pura, os pais busquem gorduras ricas em ômega-3 e DHA em fontes como abacate, azeite de oliva e manteigas de nozes, que oferecem perfis nutricionais mais completos.

O embate nas redes sociais

A exposição desse estilo de vida gera reações viscerais. Campbell e Evans relatam ter recebido comentários acusando-as de serem “péssimas mães” ou de estarem provocando ataques cardíacos futuros em seus filhos.

A resposta das mães é direta: elas preferem a gordura natural aos corantes e conservantes dos lanches infantis industriais. “Minha filha come frango, vegetais e frutas. Ela está ótima”, rebate Campbell, reforçando que o foco é a densidade nutricional em um mundo dominado por produtos ultraprocessados.

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