Saiba por que a maioria das mulheres rejeita homens “performáticos”
Levantamento revela que mulheres brasileiras perdem o interesse ao notar comportamentos encenados e discursos de desconstrução vazios
atualizado
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A autenticidade tornou-se o principal filtro nas dinâmicas de paquera contemporâneas. Uma pesquisa recente aponta que 74% das mulheres brasileiras interrompem a interação ao perceberem que o pretendente adota um comportamento “performático”. O termo refere-se a homens que utilizam discursos feministas ou progressistas como estratégia de conquista, mas cujas atitudes práticas não sustentam o posicionamento exibido nos perfis digitais.
Entenda
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Rejeição à performance: a maioria das usuárias descarta pretendentes que encenam vulnerabilidade apenas para obter validação ou vantagem na conquista.
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Identificação de padrões: cerca de 38% das mulheres afirmam já ter detectado o uso de pautas sociais como “isca” (estratégia conhecida popularmente como “esquerdomacho”).
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Atitudes reais: para 53% das entrevistadas, a maior “bandeira verde” (green flag) é a naturalidade dos valores, sem a necessidade de rótulos explícitos.
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Diferença geracional: enquanto a geração Z é a que mais identifica esses discursos (32%), mulheres acima de 35 anos tendem a ser mais pragmáticas e focadas na conexão pessoal.
O fenômeno do “homem performático” surge em um momento de transição das masculinidades. De acordo com o psicólogo e sexólogo Theo Alarcon, essa postura aparece quando a revisão de privilégios deixa de ser um processo ético para virar uma estratégia visual.
“O homem percebeu que performar vulnerabilidade gera mais status e atratividade. É uma espécie de ‘gentrificação da masculinidade’: uma reforma estética que mantém as bases de privilégio intactas”, explica o especialista ao Metrópoles.
@gvstavoccorrea Nao tem legendado, Fer?😭 #fy ♬ som original – gvstavocorrea
O estudo realizado pelo aplicativo de relacionamentos happn destaca que a busca por validação externa — os chamados likes e aprovação social — moldou um novo “roteiro” de sedução.
Para a psiquiatra Renata Verna, do Hospital Santa Lúcia, a cultura da performance transformou o valor pessoal em métrica.
“Não é que o comportamento masculino tenha mudado radicalmente; ele se tornou exposto e curado para a audiência. A performance vira um atalho de afirmação para quem ainda não sabe qual papel ocupar”, afirma a médica.

O que as mulheres realmente valorizam
Os dados do happn mostram que o interesse feminino reside em gestos concretos e não em declarações teóricas. Entre os comportamentos que mantêm o engajamento das usuárias estão:
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Escuta ativa e respeito ao consentimento (21%);
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Cuidado e segurança nos encontros presenciais (18%);
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Posicionamento firme diante de atitudes tóxicas (8%).
Para Alarcon, o problema reside no uso da vulnerabilidade como objeto de manipulação da imagem para evitar questionamentos. “Isso permite que o indivíduo mantenha dinâmicas de poder e desresponsabilização afetiva enquanto sua aparência sinaliza o contrário”, conclui o psicólogo.
A tendência indica que, para o mercado afetivo de 2026, a transparência e a coerência entre o “post” e o “print” são os ativos mais valiosos para o sucesso de um relacionamento.
