Lipedema e treino intenso: por que o excesso pode ser um inimigo?
Especialista alerta que alto impacto agrava inflamação e dor; saiba como exercitar-se sem comprometer a saúde vascular
atualizado
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Para mulheres que convivem com o lipedema, a ida à academia pode se tornar um campo de batalha entre a busca pela saúde e o desconforto físico. Diferente da gordura comum, o acúmulo de tecido adiposo característico desta doença crônica responde de forma atípica ao esforço físico.
Segundo o cirurgião vascular Herik Oliveira, treinos de alto impacto ou intensidade extrema podem, em muitos casos, exacerbar sintomas como inchaço, fadiga e dor, exigindo uma abordagem personalizada para evitar o agravamento do quadro inflamatório.
Entenda
- Inflamação crônica – o lipedema afeta o tecido subcutâneo e articulações, tornando o corpo mais sensível e propenso a dores.
- Dificuldade de drenagem – exercícios intensos aumentam o ácido lático, que é mal drenado devido à deficiência linfática da condição.
- Resistência a dietas – a gordura do lipedema não reduz na mesma proporção que a gordura comum, gerando frustração nas pacientes.
- Foco no baixo impacto – atividades como natação, pilates e musculação moderada são as mais indicadas para o controle da doença.
O desafio fisiológico do impacto
O lipedema é uma condição que atinge quase exclusivamente o público feminino, manifestando-se pelo aumento desproporcional de gordura em membros como coxas, pernas e braços. De acordo com Herik Oliveira, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), o problema vai muito além da estética.
“O lipedema provoca uma inflamação crônica que reduz o retorno venoso e linfático”, explica o médico.
Essa falha no sistema de “limpeza” do corpo faz com que treinos pesados resultem em uma sensação de peso insuportável nas pernas e na formação facilitada de hematomas. Além disso, mulheres com a condição possuem, em média, 30% menos força no quadríceps, o que torna os exercícios de alto impacto mecanicamente mais desgastantes para as articulações do quadril, joelhos e tornozelos.

Por que a gordura não “queima”?
Uma das maiores queixas nos consultórios é a falta de resultado localizado. Mesmo com dietas restritivas e treinos exaustivos, a gordura nos membros afetados parece estagnada.
O especialista esclarece que isso ocorre porque o tecido do lipedema tem um comportamento biológico diferente da gordura metabólica normal. Enquanto o corpo queima energia de outras áreas, a região inflamada pelo lipedema permanece preservada, o que exige uma estratégia de tratamento que vai além da queima de calorias.
O treino ideal: menos impacto, mais constância
Apesar das restrições, o sedentarismo não é uma opção. O exercício é vital para a mobilidade e a redução da inflamação, desde que adaptado. Herik recomenda priorizar atividades que protejam as articulações e auxiliem na circulação:
- Esportes aquáticos – hidroginástica e natação (a pressão da água funciona como uma drenagem natural).
- Fortalecimento controlado – musculação com carga moderada e uso de faixas elásticas.
- Flexibilidade e equilíbrio – ioga e pilates.

Abordagem multidisciplinar
O sucesso no manejo do lipedema depende de um “time” de especialistas. O acompanhamento deve envolver angiologistas, nutricionistas, fisioterapeutas e educadores físicos.
“Quando o diagnóstico é feito corretamente, conseguimos orientar a paciente de forma adequada, evitando frustrações e melhorando significativamente a qualidade de vida”, conclui o cirurgião.
