
Fábia OliveiraColunas

Médico alerta sobre lipedema, diagnóstico revelado por Rafa Brites
O especialista da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular fala sobre tratamento da doença e diagnóstico preventivo
atualizado
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Algumas famosas já contaram, através das redes sociais, que sofrem com lipedema. E um casos mais recentes que veio à tona foi do de Rafa Brites, que contou um pouco sobre seu tratamento e diagnóstico.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) se trata de uma condição vascular de caráter crônico do tecido adiposo, associada a alterações hormonais, atingindo majoritariamente o público feminino.
Mais detalhes
O lipedema caracteriza-se pelo acúmulo desproporcional de gordura, especialmente em membros inferiores, preservando os pés, e pode também atingir os braços, poupando as mãos. Dor à palpação, sensação de peso, edema persistente e hematomas frequentes são sinais típicos.
“O lipedema é uma circunstância física complexa, com base inflamatória, hormonal, metabólica e também com forte componente genético. Na maioria das vezes, não se trata de uma condição puramente estética, mas de uma doença que exige avaliação médica especializada.”, detalhou Antônio Carlos de Souza, diretor de publicações da SBACV.
Informação com responsabilidade
A instituição destacou que o principal ganho da repercussão pública é estimular as mulheres com sintomas compatíveis a buscar avaliação médica especializada. O médico explicou que a postagem lança luz sobre o assunto, principalmente pela apresentadora afirmar não ter utilizado roupas apertadas e não apresentar sobrepeso, o que poderia ser uma condicionante para a manifestação da doença.
Antônio Carlos de Souza destacou o fato de a jornalista ter procurado o médico no final do ano passado, após ter sentido dores e perceber o surgimento de hematomas nas pernas.
O especialista falou sobre a importância de ações preventivas e o acompanhamento de informação qualificada. Estima-se que entre 10% e 18% das mulheres apresentem características compatíveis com a condição, embora muitos casos ainda sejam confundidos com obesidade, retenção hídrica ou sedentarismo.
Entenda o problema
O lipedema frequentemente apresenta agregação familiar, sugerindo predisposição genética. Além disso, alterações na expressão gênica do tecido adiposo acometido, com desequilíbrios envolvendo receptores hormonais, inflamação e fibroses.
Segundo o diretor, fatores epigenéticos — isto é, modificações na expressão gênica influenciadas por ambiente, estado inflamatório, alimentação e variações hormonais — também desempenham papel relevante.
“O tecido adiposo do lipedema apresenta comportamento biológico distinto. Há alterações na sinalização hormonal, no padrão inflamatório e na fibrose que não são explicadas apenas por excesso calórico. Estamos diante de uma doença com bases moleculares próprias”, observou.
Tratamento
Ainda segundo o médico, a doença é progressiva e apesar de não ter cura, tem tratamento, que passa por uma combinação de fatores. A dieta balanceada junto à prática regular de exercícios físicos são elementos fundamentais para conter o avanço da condição. Além disso, o uso de meias de compressão e lipoaspiração pode ser indicado em alguns casos.
“O lipedema impacta com dor, a mobilidade, comprometimento da autoestima e qualidade de vida. Por isso, o tratamento precisa ser coordenado, com acompanhamento clínico regular e integração entre médicos e outros profissionais envolvidos no cuidado. Não existe solução única ou intervenção isolada que resolva a doença”, comentou.
A condução adequada envolve controle metabólico, estratégias anti-inflamatórias, reabilitação funcional, suporte psicológico quando necessário e monitoramento contínuo da evolução clínica.
Cautela com promessas e intervenções precoces
Com o aumento da visibilidade do tema, cresce também a oferta de tratamentos sem comprovação científica. A sociedade alerta para a importância de evitar protocolos divulgados como curativos, suplementos não validados e terapias sem respaldo técnico.
“É fundamental fugir de soluções rápidas. O tratamento deve ser estruturado, progressivo e baseado em evidências. A cirurgia, embora possa ter indicação em casos selecionados, geralmente não deve ser considerada como primeira opção de tratamento”, ressaltou o especialista.
A lipoaspiração específica para lipedema pode ser útil em situações com comprometimento funcional relevante, mas deve ocorrer após tratamento clínico adequado e avaliação criteriosa. “É preciso responsabilidade científica. Até o momento, não há medicação aprovada especificamente para lipedema. A incorporação de novas terapias deve ocorrer dentro de critérios éticos e baseados em evidência robusta”, pontuou.













