Hepatologista revela os primeiros sinais de que o fígado adoeceu

Cansaço persistente, alterações na pele e desconfortos digestivos podem indicar que o fígado não está funcionando bem

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Ilustração colorida de fígado em esqueleto humano - Metrópoles
1 de 1 Ilustração colorida de fígado em esqueleto humano - Metrópoles - Foto: Jian Fan/Getty Images

Responsável por funções vitais como metabolismo, desintoxicação e produção de proteínas, o fígado costuma dar poucos sinais quando algo não vai bem. Justamente por isso, muitas doenças hepáticas só são descobertas em fases mais avançadas. A hepatologista Natalia Trevizoli explica quais sintomas iniciais merecem atenção e quando é hora de procurar ajuda médica.

Entenda

  • As doenças do fígado costumam ser silenciosas: o órgão consegue manter suas funções mesmo já estando parcialmente comprometido.
  • Os primeiros sintomas são inespecíficos: cansaço, mal-estar e desconfortos digestivos podem ser sinais iniciais.
  • Pele e olhos dão alertas importantes: icterícia, coceira e alterações na urina e nas fezes não devem ser ignoradas.
  • Diagnóstico precoce pode evitar complicações graves: quando identificadas cedo, muitas doenças hepáticas são reversíveis.
Foto colorida de maquete de fígado humano - Metrópoles
O órgão é responsável por metabolizar as substâncias consumidas

As doenças do fígado frequentemente evoluem de forma silenciosa, o que dificulta a identificação precoce. Segundo a hepatologista Natalia Trevizoli, essa característica está relacionada à própria capacidade do órgão.

“O fígado tem uma grande capacidade de compensação e regeneração. Mesmo quando parte dele já está comprometida, consegue manter funções básicas, fazendo com que os sintomas apareçam apenas em fases mais avançadas”, explica.

Quando surgem, os primeiros sinais costumam ser pouco específicos. De acordo com a hepatologista do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, cansaço persistente, mal-estar, perda de apetite, náuseas leves, sensação de estufamento abdominal e desconforto digestivo estão entre as queixas mais comuns. “Por serem sintomas frequentes em várias condições, muitas vezes acabam sendo negligenciados”, alerta.

A fadiga excessiva, em especial, pode estar diretamente ligada ao fígado. “Quando o órgão não consegue desempenhar adequadamente suas funções metabólicas e de desintoxicação, ocorre o acúmulo de substâncias no organismo, o que provoca indisposição, cansaço intenso e sensação constante de mal-estar”, afirma Natalia.

O fígado é o órgão que metaboliza as substâncias ingeridas e, por isso, sofre os efeitos do consumo excessivo de bebidas alcoólicas

Alterações na pele e nos olhos também são sinais de alerta importantes. A hepatologista destaca que a icterícia — caracterizada pelo amarelamento da pele e da parte branca dos olhos — é um dos principais indicativos de problema hepático. “Além disso, coceira intensa, escurecimento da urina, fezes claras e o aparecimento de pequenos vasos dilatados na pele devem sempre ser investigados”, orienta.

Em fases mais avançadas, podem surgir dor ou desconforto no lado direito superior do abdome, sensação de peso e aumento do volume abdominal.

“O inchaço provocado pelo acúmulo de líquido, chamado de ascite, é um sinal que exige avaliação médica imediata”, ressalta.

Segundo a especialista, os sintomas deixam de ser considerados comuns quando são persistentes, progressivos ou aparecem de forma associada. “Quadros que duram semanas, não melhoram com o tempo ou vêm acompanhados de icterícia, inchaço abdominal ou perda de peso não devem ser tratados como algo normal”, afirma.

A alimentação impacta na saúde hepática

Principais fatores de risco para o fígado

Entre os principais fatores de risco para o mau funcionamento do fígado estão o consumo excessivo de álcool, alimentação rica em gorduras e ultraprocessados, sedentarismo, obesidade, automedicação, uso indiscriminado de suplementos e exposição a substâncias tóxicas. Pessoas com diabetes, colesterol elevado, hepatites virais, histórico familiar de doença hepática ou uso contínuo de determinados medicamentos também precisam de atenção redobrada.

Para identificar alterações ainda no início, exames de sangue são fundamentais. “As enzimas hepáticas e as bilirrubinas ajudam muito no rastreio. Exames de imagem, como ultrassonografia e elastografia hepática, também permitem detectar problemas precocemente”, explica Natalia.

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A boa notícia é que muitos danos ao fígado podem ser revertidos quando descobertos a tempo. “Grande parte das doenças hepáticas é reversível nas fases iniciais, especialmente quando a causa é tratada e há mudança de hábitos. O diagnóstico precoce é essencial para evitar a progressão para fibrose avançada, cirrose ou até a necessidade de transplante”, conclui a hepatologista.

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