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Vida & Estilo

Esfriou: nutri ensina a manter a alimentação saudável no inverno

É possível se manter saudável no frio ao mesmo tempo em que aproveita algumas das comidinhas gostosas e reconfortantes

15/07/2026 08:03
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Esfriou: nutri ensina a manter a alimentação saudável no inverno

Quando a temperatura cai, o corpo muda de comportamento de formas que a maioria das pessoas não percebe. A fome aumenta, a sede diminui, a vontade de cozinhar some e o conforto da comida gordurosa e quente fica difícil de resistir. O resultado quase sempre é o mesmo: a alimentação que funcionava bem no verão vai por água abaixo com a chegada do inverno.

Isso não é fraqueza de vontade. É fisiologia. No frio, o organismo precisa de mais energia para manter a temperatura corporal estável. Esse gasto extra acende um sinal de fome mais intenso do que o habitual, e o cérebro tende a pedir justamente o que entrega energia rápida: gordura, açúcar e carboidrato refinado. A questão é que ceder a esse sinal sem critério é diferente de alimentar o corpo do que ele realmente precisa.

O problema que ninguém lembra no inverno: a desidratação

A sede diminui com o frio porque os receptores responsáveis por sinalizar que o corpo precisa de água ficam menos ativos em temperatura baixa. O organismo continua precisando de líquido da mesma forma, mas o sinal de alerta simplesmente não toca com a mesma intensidade.

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O resultado é que muita gente passa o inverno levemente desidratada sem perceber. E desidratação, mesmo leve, afeta a digestão, a disposição, a concentração e a imunidade, exatamente o conjunto de coisas que já sofre pressão com o frio.

A solução não é forçar litros de água gelada. Chás sem açúcar, caldos, sopas e frutas ricas em água, como laranja e abacaxi, ajudam a manter a hidratação de forma mais natural e ainda mais confortável no frio.

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O que o frio faz com a imunidade

Ambientes fechados, ar seco, menor exposição ao sol e queda na qualidade da alimentação formam uma combinação que o sistema imunológico não aprecia. Não é à toa que gripes e resfriados explodem no inverno.

Cerca de 70% das células de defesa do organismo estão no intestino. Isso significa que a alimentação influencia diretamente a capacidade do corpo de se defender, não de forma mágica, mas de forma concreta. Manter o intestino funcionando bem, com fibras, probióticos e alimentos variados, é uma das estratégias mais eficientes para atravessar o inverno sem adoecer.

Alguns nutrientes têm papel especialmente documentado na imunidade durante o frio:

  • Vitamina C, presente em laranja, limão, acerola, kiwi e pimentão, que ajuda no funcionamento das células de defesa;
  • Zinco, encontrado em carnes, sementes de abóbora, castanhas e grãos, importante para a resposta imunológica;
  • Vitamina D, cuja produção cai no inverno pela menor exposição ao sol, e aqui uma suplementação adequada pode ser indicada;
  • Probióticos, em iogurte natural e kefir, que ajudam a manter a microbiota intestinal em equilíbrio.

Sopas de legumes com frango desfiado, caldo de feijão com couve, sopa de lentilha, canja, moqueca, vatapá, feijoada com moderação e arroz com leite sem excesso de açúcar são alguns pratos quentes, reconfortantes e nutritivos que existem na cultura alimentar do país há décadas.

Raízes como batata-doce, mandioquinha, inhame e mandioca também brilham no inverno. Elas são fontes de energia, fibra e micronutrientes, e combinam com praticamente tudo. Entre os temperos, destacam-se o gengibre, cúrcuma, canela, pimenta-do-reino e alho.

Eles são termogênicos naturais, ou seja, ajudam o corpo a gerar um pouco mais de calor internamente, além de terem propriedades anti-inflamatórias documentadas. Não resolvem sozinhos, mas adicionados a sopas, chás e refogados, somam um benefício real sem nenhuma complicação.

Um chá de gengibre com limão e mel é, na prática, um dos alimentos mais completos para o inverno: hidrata, aquece, tem ação anti-inflamatória e ainda ajuda na mucosa das vias respiratórias. E custa muito menos do que qualquer suplemento de farmácia com promessa parecida.

O inverno convida para o chocolate quente cremoso, o vinho todo dia, as frituras reconfortantes. Nenhum desses itens precisa ser proibido, mas virar rotina diária tem um preço que aparece na imunidade baixa, no intestino lento e na disposição que some junto com o sol.

Juliana Andrade(*) Juliana Andrade é nutricionista formada pela UnB e pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional. Escreve sobre alimentação, saúde e estilo de vida