Ajuda no sexo? Cura depressão? Mitos e verdades da hipnose

Buscas pela palavra hipnose dobraram desde que Pyong entrou no BBB20, mas é preciso cautela ao recorrer à técnica

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atualizado 15/02/2020 13:04

Cerca de 112 mil brasileiros utilizaram a hipnoterapia clínica em algum momento da vida, segundo dados do instituto OMNI Brasil. Embora tenha destaque na mídia há algum tempo, como em programas de entretenimento, a hipnose ganhou redobrada do público desde o início da última edição do Big Brother Brasil.

Uma das figuras mais conhecidas do reality show, o hipnólogo e youtuber paulista Pyong Lee ajudou a popularizar o método. Em menos de um mês de exibição do programa, as buscas por hipnose aumentaram em mais de 100% no Google.

Apesar dessa exposição, ainda há muito desconhecimento quanto a essa terapia. No Rio de Janeiro, por exemplo, tem sido comum encontrar hipnólogos oferecendo seus serviços de maneira gratuita e na beira da praia, prática não aconselhada por profissionais.

“Trata-se de uma técnica ainda não muito conhecida de uma maneira geral. Quando alguém fala em dificuldades emocionais ou comportamentais, geralmente associa com o psicólogo ou psiquiatra”, pondera o hipnoterapeuta e especialista em inteligência espiritual Fabrício Nogueira.

A pedido do Metrópoles, o profissional elucidou os mitos e verdades mais frequentes relacionados ao seu ofício.

Confira!

Quem é hipnotizado perde o controle do corpo
Mito. Um dos mitos mais frequentes da hipnose é achar que se perde o estado de consciência e que, com o transe, o indivíduo se torna como que uma marionete nas mãos do hipnólogo. O fato é que, se o indivíduo não quiser ser hipnotizado, ele não entra.

A hipnose é um estado de relaxamento e de concentração por meio do qual a pessoa tem acesso ao inconsciente e a todas as informações lá contidas. O transe hipnótico, diferentemente do que muito se imagina, é um estado em que o indivíduo tem o controle de todos os seus movimentos e pensamentos. As etapas para o início do transe hipnótico são, via de regra, relaxamento, concentração e permissão de acesso ao inconsciente.

A hipnoterapia trabalha com o inconsciente
Verdade. Ela pode ser usada para acessar informações ou emoções que não estão mais disponíveis em nível consciente e que, de alguma maneira, têm atrapalhado comportamentos e emoções do indivíduo. Algumas pessoas procuram a técnica depois de recorrerem a outros tratamentos e não encontrarem soluções.

Hipnose pode ajudar na vida sexual
Verdade. Dificuldades na vida sexual geralmente estão associadas a situações interiores de conflito. Acessar os acontecimentos traumatizantes e permitir o indivíduo ser livre diante de situações melhora muito a vida, seja no aspecto sexual, seja profissional ou afetivo. Recorrer à hipnoterapia é uma excelente maneira de entender entraves e perceber se dificuldades fisiológicas não têm algum vínculo inconsciente. Nesse sentido, a hipnose é uma grande aliada da medicina. Não é por menos que inúmeros profissionais de saúde a adotaram em seus consultórios. Nos dias de hoje, está muito presente em clínicas odontológicas.

Cura medo de avião, estresse pós-traumático e fobias em geral
Verdade. O processo de uma fobia ou estresse é mental, de associação entre o evento traumático, fortes emoções e a necessidade dos órgãos cerebrais de proteger o indivíduo de novos conflitos traumáticos. A mente sempre busca a proteção da vida. Quando acessamos o “evento causador inicial” de um pânico ou fobia e ressignificamos aquele fato, consequentemente se dá novo sentido àquela associação e percebe-se a cura daqueles sintomas.

Não é indicada para grávidas
Verdade. Como o transe hipnótico leva o indivíduo ao acesso de informações e emoções inconscientes, é prudente que mulheres grávidas não submetam o feto a tantas questões fortes, inclusive traumáticas para a gestante. Sabe-se que emoções são transmitidas da mãe ao bebê.

Cura depressão
Mito. Nenhuma técnica ou medicamento curam o indivíduo. Elas mobilizam as forças do organismo para tal finalidade. A hipnose não é diferente. A técnica leva o indivíduo ao contato com os “eventos causadores”, possibilitando a ressignificação dos fatos em vista de uma nova percepção sistêmica da vida. A cura vai variar de pessoa a pessoa neste processo de lidar e resolver questões do passado e criar novas perspectivas de presente e futuro. É fundamental o acompanhamento médico neste processo.

Pode ser feita na rua ou em programas de tevê
Mito. A hipnose de “rua” ou de “palco” não tem finalidade terapêutica e, sim, de entretenimento. Claro que pode despertar alguém para alguma informação interna até então não percebida. No entanto, o processo terapêutico deve ser realizado no consultório.

É totalmente reconhecida pela medicina
Mito. A medicina, a partir da neurologia, e dos novos aparelhos capazes de mapear as zonas de ativação cerebral, consegue perceber a eficácia de muitos métodos utilizados em transes hipnóticos. No entanto, ainda não existe um consenso médico sobre a utilização e recomendação da prática.

Dá para se autohipnotizar
Verdade. Todo estado de relaxamento profundo é um estado hipnótico. Técnicas de mindfulness, meditação e concentração conduzem à autohipnose. No entanto, para fins terapêuticos, aconselha-se o acompanhamento de um profissional habilitado e experiente.

As sessões são baratas
Mito. O valor depende da experiência, prática e técnicas do profissional. Ele pode alternar entre R$ 800 a R$ 3.000, em média. Vale ressaltar que alguns benefícios trazidos em uma só sessão podem aliviar anos de sofrimento do indivíduo.

Resolve problemas em uma sessão
Verdade. Dependendo da situação trazida ao hipnólogo, uma sessão é suficiente para tratar a questão. Dor de cabeça, uma fobia de animais, avião ou situações similares são exemplos, pois não envolvem situações complexas. São pontuais. Por outro lado, questões mais intensas precisam de mais sessões, não só para a aplicação da técnica, quanto para o acompanhamento dos resultados. Cada indivíduo reage diferentemente a procedimentos.

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