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Vida & Estilo

Como reduzir a gordura visceral, que inflama o corpo e prejudica o fígado

Escondida entre os órgãos, a gordura visceral inflama o organismo e aumenta o risco de infarto, diabetes e demência. Saiba como identificar

01/10/2026 09:16
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Foto colorida de mulher pegando na gordura localizada na barriga - Nutricionista explica o que é gordura visceral e por que é perigosa - Metrópoles

Quando se fala em gordura na barriga, a maioria pensa naquela dobrinha que dá para apertar com os dedos. Só que a mais preocupante mora mais para dentro, ficando escondida. Ela se chama gordura visceral.

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O que é a gordura visceral

O corpo guarda gordura em dois lugares principais. A subcutânea fica logo abaixo da pele, nas coxas, nos braços e no famoso pneuzinho. A visceral se acomoda dentro do abdômen, em volta do fígado, do estômago e dos intestinos.

Pense assim: a subcutânea é um casaco pesado vestido por cima do corpo. A visceral é entulho acumulado dentro do motor do carro, grudado nas peças que fazem tudo funcionar.

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Por que ela preocupa

Essa gordura não fica parada. Ela libera substâncias inflamatórias no sangue e manda gordura direto para o fígado. Com o tempo, a insulina perde eficiência, o colesterol se desregula e a pressão sobe, abrindo caminho para diabetes, gordura no fígado, infarto e AVC.

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Gordura no fígado pode evoluir para cirrose

Pesquisas recentes com participantes de um grande banco de dados britânico ligaram o excesso dessa gordura ao envelhecimento mais rápido do coração e a um risco maior de demência.

Magro por fora, gordo por dentro

Dá para ter o peso dentro do normal e ainda carregar gordura visceral em excesso. Sedentarismo, ultraprocessados, sono ruim e álcool frequente favorecem o quadro. Na menopausa, a queda do estrogênio também desloca a gordura dos quadris para o abdômen.

Por isso, uma comissão internacional publicada na revista The Lancet, em 2025, defendeu que o IMC sozinho não basta para diagnosticar a obesidade.

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Como descobrir

O teste mais simples e acessível para uma primeira identificação da possível presença de gordura visceral é a fita métrica. Meça a cintura entre a última costela e o osso do quadril, sem encolher a barriga. Pelas referências do Ministério da Saúde, o risco aumenta acima de 80 cm nas mulheres e 94 cm nos homens.

Outra regra simples: a cintura deve medir menos da metade da altura. Quem tem 1,60 m deveria ficar abaixo de 80 cm.

Como diminuir

Primeiro, um aviso: nenhum exercício específico derrete a gordura da barriga. Não existe emagrecimento localizado. A parte boa é que a gordura visceral costuma ser uma das primeiras a responder quando a rotina muda.

  • Movimente-se com regularidade. Caminhada, bicicleta e musculação ajudam, e o melhor treino é aquele que você mantém;
  • Corte ou evite refrigerantes, sucos de caixinha e doces frequentes;
  • Monte o prato com feijão, verduras, legumes, frutas e boas fontes de proteína;
  • Reduza o álcool. A barriga de chope tem fundamento;
  • Durma bem. Noites curtas aumentam a fome e favorecem o acúmulo de gordura abdominal;
  • Cuide do estresse, porque o cortisol alto por muito tempo também contribui.

E as canetas emagrecedoras?

Remédios como Ozempic e Mounjaro reduzem a gordura visceral junto com o peso, porém, exigem indicação médica. Sem alimentação ajustada e treino de força, parte do que se perde é músculo, um dos maiores aliados do metabolismo.

No fim das contas, vale mais se perguntar “quanto mede a minha cintura?” do que “quanto eu peso?”.

Juliana Andrade(*) Juliana Andrade é nutricionista formada pela UnB e pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional. Escreve sobre alimentação, saúde e estilo de vida