Como reduzir a gordura visceral, que inflama o corpo e prejudica o fígado
Escondida entre os órgãos, a gordura visceral inflama o organismo e aumenta o risco de infarto, diabetes e demência. Saiba como identificar

Quando se fala em gordura na barriga, a maioria pensa naquela dobrinha que dá para apertar com os dedos. Só que a mais preocupante mora mais para dentro, ficando escondida. Ela se chama gordura visceral.

Receba no seu email as notícias de Fitness&Nutrição
Frequência de envio: Duas vezes na semana
Ver todasO que é a gordura visceral
O corpo guarda gordura em dois lugares principais. A subcutânea fica logo abaixo da pele, nas coxas, nos braços e no famoso pneuzinho. A visceral se acomoda dentro do abdômen, em volta do fígado, do estômago e dos intestinos.
Pense assim: a subcutânea é um casaco pesado vestido por cima do corpo. A visceral é entulho acumulado dentro do motor do carro, grudado nas peças que fazem tudo funcionar.
Por que ela preocupa
Essa gordura não fica parada. Ela libera substâncias inflamatórias no sangue e manda gordura direto para o fígado. Com o tempo, a insulina perde eficiência, o colesterol se desregula e a pressão sobe, abrindo caminho para diabetes, gordura no fígado, infarto e AVC.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Vida & Estilo
Pesquisas recentes com participantes de um grande banco de dados britânico ligaram o excesso dessa gordura ao envelhecimento mais rápido do coração e a um risco maior de demência.
Magro por fora, gordo por dentro
Dá para ter o peso dentro do normal e ainda carregar gordura visceral em excesso. Sedentarismo, ultraprocessados, sono ruim e álcool frequente favorecem o quadro. Na menopausa, a queda do estrogênio também desloca a gordura dos quadris para o abdômen.
Por isso, uma comissão internacional publicada na revista The Lancet, em 2025, defendeu que o IMC sozinho não basta para diagnosticar a obesidade.
Como descobrir
O teste mais simples e acessível para uma primeira identificação da possível presença de gordura visceral é a fita métrica. Meça a cintura entre a última costela e o osso do quadril, sem encolher a barriga. Pelas referências do Ministério da Saúde, o risco aumenta acima de 80 cm nas mulheres e 94 cm nos homens.
Outra regra simples: a cintura deve medir menos da metade da altura. Quem tem 1,60 m deveria ficar abaixo de 80 cm.
Como diminuir
Primeiro, um aviso: nenhum exercício específico derrete a gordura da barriga. Não existe emagrecimento localizado. A parte boa é que a gordura visceral costuma ser uma das primeiras a responder quando a rotina muda.
- Movimente-se com regularidade. Caminhada, bicicleta e musculação ajudam, e o melhor treino é aquele que você mantém;
- Corte ou evite refrigerantes, sucos de caixinha e doces frequentes;
- Monte o prato com feijão, verduras, legumes, frutas e boas fontes de proteína;
- Reduza o álcool. A barriga de chope tem fundamento;
- Durma bem. Noites curtas aumentam a fome e favorecem o acúmulo de gordura abdominal;
- Cuide do estresse, porque o cortisol alto por muito tempo também contribui.
E as canetas emagrecedoras?
Remédios como Ozempic e Mounjaro reduzem a gordura visceral junto com o peso, porém, exigem indicação médica. Sem alimentação ajustada e treino de força, parte do que se perde é músculo, um dos maiores aliados do metabolismo.
No fim das contas, vale mais se perguntar “quanto mede a minha cintura?” do que “quanto eu peso?”.































