Comer mais gordura reduz a vontade de doce? Veja o que diz a ciência
Estratégia nutricional envolvendo gordura ajuda a equilibrar a glicemia, a aumentar saciedade e a diminuir picos de desejo por doce
atualizado
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Sentir vontade de comer doce todos os dias não é, necessariamente, falta de força de vontade. Em muitos casos, pode ser um sinal de desequilíbrio alimentar. E a solução pode parecer contraintuitiva: incluir mais gorduras boas nas refeições.
A explicação está na forma como o corpo regula a fome, a saciedade e os níveis de açúcar no sangue.
O papel da glicemia no desejo por açúcar
Quando uma pessoa consome refeições ricas em carboidratos simples e pobres em gordura e proteína, a glicose no sangue sobe rapidamente. O problema é que ela também tende a cair com rapidez, o que pode provocar fadiga, irritabilidade e, claro, vontade de comer doce novamente.

Esse ciclo de pico e queda favorece o chamado “efeito montanha-russa” da glicemia.
A gordura entra como aliada porque desacelera o esvaziamento gástrico e a absorção dos carboidratos. Com isso, a liberação de glicose na corrente sanguínea acontece de forma mais gradual, reduzindo oscilações bruscas e, consequentemente, diminuindo os gatilhos para novos desejos por açúcar.
Saciedade mais duradoura
A gordura é o macronutriente mais calórico, mas também um dos que mais promovem saciedade. Quando incluída em quantidades adequadas, ela ativa hormônios ligados à sensação de satisfação, como a colecistocinina.

Na prática, isso significa que refeições equilibradas, contendo carboidratos, proteínas e gorduras boas, tendem a sustentar a energia por mais tempo e reduzir aquela busca automática por um chocolate no meio da tarde.
Quais gorduras fazem diferença?
É importante destacar que não se trata de liberar frituras ou alimentos ultraprocessados. O benefício está principalmente nas chamadas gorduras insaturadas, encontradas em:
- Abacate;
- Azeite de oliva;
- Castanhas e nozes;
- Sementes como chia e linhaça;
- Peixes como salmão, atum e sardinha.

Esses alimentos, além de ajudarem na saciedade, também estão associados à saúde cardiovascular e ao controle de processos inflamatórios.
Desejo por doce é só fisiológico?
Nem sempre. Fatores emocionais, privação alimentar excessiva e dietas muito restritivas também aumentam a compulsão por açúcar.
Quando a gordura é retirada de forma exagerada da alimentação a tendência é que a fome aumente e a busca por alimentos altamente palatáveis se intensifique.
Por isso, incluir gordura de qualidade pode ser uma estratégia não apenas metabólica, e sim comportamental: refeições mais completas diminuem a sensação de escassez e reduzem episódios de exagero.

Equilíbrio é a palavra-chave
Comer mais gordura não significa exagerar nas porções. O que a ciência aponta é que a combinação adequada de macronutrientes ajuda a estabilizar o apetite e reduzir a necessidade constante de açúcar.
