Drauzio Varella: “Hipertensão e diabetes são epidemias brasileiras”

Em entrevista ao Metrópoles, o médico alertou sobre os riscos do sedentarismo

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atualizado 21/10/2018 19:08

Drauzio Varella é um dos mais renomados médicos brasileiros e também bastante ativos em redes sociais e na televisão. O especialista veio a Brasília, nesta sexta-feira (19/10), para palestrar sobre um assunto importantíssimo à saúde pública: o sedentarismo.

O médico foi o convidado de um painel da organização Gympass, responsável por planos corporativos e privados de acesso a academias, em pareceria com o laboratório Sabin. Antes do encontro, Varella recebeu o Metrópoles para discutir os impactos de uma vida inativa na saúde da população.

É difícil pensar em uma doença que não tenha relação com o sedentarismo. As principais são os problemas cardiovasculares, a exemplo do infarto. No Brasil, anualmente, 300 mil pessoas morrem em decorrência disso. Vários tipos de câncer, de acordo com a literatura, são mais frequentes em pessoas inativas

Drauzio Varella
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Drauzio Varella encontrou, na corrida de rua, um estímulo para sair do sedentarismo

 

Varella alerta para a qualidade de vida da população brasileira, que vive mais, porém, com diversas doenças – principalmente as originárias do sedentarismo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo, apontam que 16 milhões de brasileiros sofrem de diabetes. Quando a enfermidade é a hipertensão, o número chega a 30 milhões.

“Apesar de termos questões como malária, as duas maiores epidemias brasileiras são hipertensão e diabetes. O Brasil não tem política pública de saúde. Nos últimos cinco anos, o ministro dessa pasta foi trocado seis vezes, é um absurdo”, aponta o médico.

Não ficar parado
O especialista diz que a cartilha recomenda uma consulta ao médico antes de sair por ai praticando atividades físicas. No entanto, ele sabe: pacientes dependentes do Sistema Único de Saúde (SUS) podem levar até 6 meses para realizar um check-up. Por isso, recomenda iniciar com paciência.

“Dá para começar andando, é muito raro a pessoa ter uma condição que impeça a pessoa de caminhar. Aí, aos poucos, vai acelerando e, se não tiver uma falta de ar grave ou dor no peito, tenta correr um pouco. Assim vai tocando a vida”, recomenda.

Varella, que hoje tem 75 anos, começou a correr aos 50. Atualmente, o médico pratica a atividade de 3 a 4 vezes por semana, percorrendo distâncias de 10km a 20 km. “Algumas pessoas da minha geração não caminham 200m. [Praticar atividade] não significa viver mais, mas viver melhor”, pontua.

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