Um em cada quatro brasileiros não considera diabetes uma doença grave

Pesquisa realizada pela Abril, em parceria com a AstraZeneca e o Enfodebate, revela que a população não entende a enfermidade

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atualizado 20/07/2018 16:46

São Paulo — Apesar de 12,5 milhões de brasileiros serem diabéticos diagnosticados e 14 milhões terem pré-diabetes, de acordo com a Federação Internacional de Diabetes, a população não sabe os riscos da doença. Em 2017, 4 milhões de pessoas morreram, no mundo inteiro, por causa da condição.

Em pesquisa coordenada pela Abril Inteligência em parceria com a AstraZeneca e o curso Endodebate, feita com 1050 entrevistados com e sem diabetes, foi revelado que um quarto das pessoas não vê a doença como causa de morte. 43% dos diabéticos e 27% dos não diabéticos acredita que a condição pode ter relações com a incidência de AVC — a incidência de problemas cardiovasculares também não é popular: apenas 47% dos diabéticos e 30% dos não diabéticos aponta relação entre as patologias.

Até entre os pacientes com a doença, a falta de informação chama a atenção: 25% não sabe dizer qual é o limite normal de glicose no sangue e sente mais medo de complicações decorrentes da enfermidade (75%) ou ficar dependente da insulina (24%) do que de morrer (21%).

Metade dos diabéticos ainda acha a doença hereditária e 35%, emocional. 31% dos diabéticos e 26% dos não diabéticos também acha que portadores da doença nunca podem comer açúcar — as três informações acima são falsas.

A relação entre a alimentação saudável e a prática de exercícios físicos para o controle da doença são conhecidos, mas ainda falta trazer a ação para a vida real. Apenas 58% dos pacientes diagnosticados entrevistados afirma ter uma dieta balanceada e só 23% diz fazer atividades físicas de três a quatro vezes por semana, que é o indicado para diabéticos.

Quando perguntados sobre qual palavra vem à cabeça quando se fala de diabetes, a principal é “açúcar”, seguida de “insulina”, “controle”, “restrições” e “doce”. Doenças associadas ainda aparecem muito timidamente (a amputação é mais recorrente do AVC ou insuficiências, por exemplo).

“A gente lida com diabetes todos os dias e foi preciso reunir 1050 questionários para provar o que suspeitávamos na prática. Me surpreendeu o nível dos entrevistados: de um bom nível econômico, com acesso à informação mas, ainda sim, sem saber muito”, explica Carlos Eduardo Barra Couri, endocrinologista, pesquisador da USP e médico responsável pela pesquisa. “Este estudo é importante porque é um raio X da nossa situação e só é possível arrumar a casa quando se sabe onde está o problema”, conclui.

A repórter viajou a convite da AstraZeneca

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