Cientistas discordam que chá-verde e ervas medicinais emagrecem

Uma revisão de artigos globais aponta que não há evidências suficientes para alegar que ervas como o chá-verde ajudem a perder peso

atualizado 27/02/2020 12:20

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Quem nunca ouviu dizer que chá-verde, canela e outros alimentos considerados termogênicos ajudam a queimar calorias? Apesar da ideia ser bastante difundida e de vários ingredientes naturais, de fato, apresentarem efeitos terapêuticos, a eficácia deles, para o emagrecimento, ainda não é validada pela ciência.

Um estudo da Universidade de Sidney, na Austrália, conduziu uma revisão global sobre ervas medicinais para emagrecer e constatou que os resultados são insuficientes para determinar a eficácia dessas ervas, tanto em cápsulas de suplemento quanto em chás.

“O problema com os ingredientes naturais é que, diferente das drogas farmacêuticas, não são necessárias evidências clínicas para lançar os produtos ao público, tanto em mercados, quanto em farmácias”, aponta Nick Fuller, autor do estudo e membro do Centro de Colaboração para a Obesidade, Nutrição, Exercícios e Distúrbios Alimentares, da Universidade.

O levantamento foi baseado em pesquisas internacionais, a partir de mais de 50 testes aleatórios aplicados em cerca de 4 mil pessoas.  Para chegar a conclusão, os pesquisadores compararam o resultado do uso de ervas medicinais com o efeito placebo.

Além de não haver provas suficientes sobre o poder da medicina herbal, os pesquisadores afirmam que muitos estudos sobre o assunto seguiram métodos de pesquisa ruins. Além disso, embora algumas plantas sejam seguras para consumo,  seus resultados em termos de emagrecimento são insignificantes.

Entre os ingredientes estudados, estão o chá-verde, a garcinia cambogia, extratos de feijões brancos e de manga africana.

Política brasileira

Na Austrália, onde o estudo aconteceu, os autores apontam que apenas 20% dos produtos que entram no mercado passam por audições anualmente para conferir se, de fato, cumprem o que prometem.

Já no Brasil, a Anvisa tem, desde 2018, novas regras para a comercialização destes itens. O objetivo é justamente de reduzir o desnível de informações observado nesse mercado, especialmente na veiculação de alegações sem comprovação científica.

Nessas novas regras, há indicações de listas positivas com nutrientes, substâncias bioativas ou enzimas, aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia autorizados para uso em suplementos. Também entraram para norma limites mínimos e máximos para as quantidades destes compostos e considerações sobre a alegação de benefícios.

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