Atentar-se à vontade de comer ajuda a diferenciar fome de ansiedade
Observar se a vontade de comer exige um alimento específico é uma dica importante para diferenciar fome de ansiedade, diz nutricionista

“É fome ou ansiedade?”. Esse é um questionamento muito comum, afinal, nem sempre é simples distinguir esses sinais. Isso acontece porque, segundo a nutricionista e psicóloga Flavia Lucena, comer não é um ato apenas biológico.
“A fome física existe para garantir energia e sobrevivência, mas a alimentação também é influenciada por emoções, rotina, prazer, memória, estresse e contexto social”, diz Flavia.
A especialista em comportamento alimentar explica ao Metrópoles que, para diferenciar fome e ansiedade, é importante observar como a vontade de comer surge.
A fome física costuma surgir de forma gradual, acompanhada de sinais como estômago vazio, queda de energia ou dificuldade de concentração, e geralmente permite maior flexibilidade na escolha do alimento.

“É um fenômeno fisiológico, coordenado por sinais periféricos e centrais que envolvem hormônios como grelina, leptina, insulina, GLP-1, PYY e colecistocinina, além de circuitos hipotalâmicos ligados à homeostase energética.”
Já a ansiedade costuma gerar uma vontade mais súbita e urgente de comer, muitas vezes direcionada a alimentos específicos, especialmente aqueles associados a conforto e recompensa imediata. Isso inclui a preferência por alimentos altamente palatáveis, ricos em açúcar, gordura e sal.
“Esse padrão envolve circuitos de recompensa no cérebro, especialmente vias dopaminérgicas, além da participação do cortisol e da resposta ao estresse”, afirma a nutricionista.
Ou seja, a dica é observar se a vontade de comer passa com qualquer refeição ou se exige um alimento muito específico, geralmente ligado ao conforto e ao alívio imediato.
Comer sem fome física não significa doença
A nutricionista e psicóloga Flavia Lucena ressalta que comer sem fome física, ocasionalmente, não significa doença. O problema aparece quando a comida se torna a principal forma de lidar, de maneira repetitiva, com tensão, angústia ou desconforto emocional.
“Talvez mais do que perguntar ‘estou com fome ou estou ansioso?’, a melhor pergunta seja ‘meu corpo está pedindo energia ou eu estou tentando aliviar uma emoção?'”, conclui.

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