
Transição é essencial para recuperação plena dos atletas lesionados
O objetivo da transição física é recuperar capacidades físicas importantes como força, potência, velocidade, agilidade e coordenação

As lesões são uma das principais dificuldades que um atleta passa durante a carreira. Em eventos de tiro curto, como a Copa do Mundo, a ocorrência delas pode representar o término da competição para o jogador, mesmo que sua seleção não tenha sido eliminada. Além de tratar a condição, é essencial passar pela transição física.
O período corresponde ao tempo que o atleta passa para se reabilitar e se readaptar aos treinos e movimentos comuns do esporte depois de melhorar da lesão sofrida. O objetivo é recuperar capacidades físicas essenciais como força, potência, velocidade, resistência, agilidade e coordenação.
“A fase é essencial porque estar sem dor ou com a lesão cicatrizada não significa que o atleta esteja pronto para competir. O organismo precisa readaptar-se às exigências reais do jogo. Um retorno precoce pode aumentar significativamente o risco de uma nova lesão ou comprometer o desempenho esportivo”, aponta a médica do esporte Daniella Khouri, da Clínica Aloe, em Brasília.
Atualmente, os casos mais emblemáticos de transição física na Copa do Mundo são o de Neymar, do Brasil, e de Giorgian de Arrascaeta, do Uruguai. Ambos sofreram lesões antes do início do Mundial e correm contra o tempo para retornar aos gramados a tempo de ajudar suas seleções.
No caso do atacante brasileiro, ele sofreu uma lesão muscular grau dois na panturrilha. Inicialmente, o médico da Seleção Brasileira, Rodrigo Lasmar, estimou que o jogador estaria recuperado na semana que antecede a segunda rodada da Copa Mundo. Apesar de já ter retornado aos treinos junto dos demais companheiros, ele segue em tratamento.
“Receber alta médica não significa necessariamente estar apto para competir em nível máximo. O objetivo não é apenas que o atleta volte a jogar, mas que ele retorne com segurança, desempenho adequado e menor risco de novas lesões”, explica Daniella.
Pressa pelo retorno pode ser inimiga da perfeição
Um processo de recuperação não é nada fácil. Além da ansiedade do próprio jogador em retornar aos gramados, há uma pressão vinda de todos os lados para volta, seja dos próprios dirigentes, seja da torcida. No entanto, especialistas ouvidos pelo Metrópoles apontam que o período de transição deve seguir uma máxima: nunca adiantar o processo.
“Os maiores erros envolvem o retorno ainda com resquícios de dor e falta de adaptação aos exercícios específicos da modalidade sem a devida progressão”, alerta o fisiologista Jonato Prestes, professor da Universidade Católica de Brasília (UCB).
Mesmo que o jogador já não sinta mais dor e os exames mostrem resultados positivos, o tempo parado é suficiente para ele perder o condicionamento físico e controle neuromuscular de antes. Segundo Daniella, outro erro recorrente é o aumento de carga precoce, que pode gerar sobrecarga nos tecidos e levar a uma nova lesão.
“O retorno precoce também pode fazer com que o atleta desenvolva mecanismos compensatórios, alterando sua biomecânica e predispondo a novas lesões em outras regiões do corpo”, acrescenta a especialista.
Quais critérios norteiam a liberação da transição física para os campos
Para a liberação ocorrer, uma avaliação multidisciplinar é feita pelos mais variados especialistas, como médicos, fisioterapeutas, fisiologistas, preparadores físicos e psicólogos.
“A experiência clínica é fundamental e é considerada pelo profissional responsável antes da liberação. As conversas interdisciplinares entre o médico, fisioterapeuta, preparador físico e atleta são fundamentais”, avalia Prestes.
Entre os critérios a serem preenchidos pelo jogador, estão:
- Ausência de dor e sinais inflamatórios relevantes;
- Recuperação adequada da mobilidade articular;
- Restauração da força muscular, especialmente aos níveis anteriores à lesão;
- Resultados satisfatórios em testes funcionais específicos;
- Capacidade de realizar movimentos fundamentais da modalidade;
- Tolerar o aumento de carga progressivo nos treinamentos;
- Avaliação psicológica favorável.
“O retorno ao jogo não deve ser baseado apenas no tempo decorrido desde a lesão, mas principalmente em critérios objetivos de recuperação”, conclui Daniella.

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