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Copa do Mundo 2026Saúde

Máscaras usadas por jogadores na Copa protegem fraturas no rosto

Equipamento permite retorno mais rápido aos gramados durante a recuperação, mas não elimina o risco de novas lesões

17/06/2026 16:25, atualizado 17/06/2026 17:03
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Chris Arjoon/Icon Sportswire via Getty Images
Sebastián Cáceres, número 3 do Uruguai, usa máscara de proteção facial durante a partida do Grupo H da Copa do Mundo da FIFA 2026 entre Arábia Saudita e Uruguai, em 15 de junho de 2026, no Miami Stadium, em Miami Gardens, Flórida. Metrópoles

A imagem do zagueiro uruguaio Sebastián Cáceres atuando com uma máscara preta na partida contra a Arábia Saudita, na última segunda-feira (15/6), chamou a atenção de quem acompanha a Copa do Mundo. O jogador utiliza a proteção desde que sofreu uma lesão facial em maio e ainda está em processo de recuperação.

Ele não é o único. Ao longo dos últimos anos, diversos atletas precisaram recorrer a equipamentos semelhantes para voltar aos gramados após fraturas na face. Mas afinal, para que servem essas máscaras?

Segundo médicos, o acessório funciona como uma proteção temporária para atletas que ainda estão em recuperação de traumas faciais. O objetivo é reduzir o risco de um novo contato direto sobre a região lesionada enquanto o osso continua cicatrizando.

Como funciona a proteção?

As máscaras costumam ser confeccionadas sob medida para cada jogador. Em geral, são produzidas com materiais leves e resistentes, como fibra de carbono, para não comprometer o desempenho durante partidas e treinamentos.

O fisioterapeuta João Paulo, pós-graduado em traumatologia e ortopedia e responsável pela confecção de proteções para atletas profissionais, explica que a função principal é afastar a pressão da área lesionada.

“Todas as máscaras têm a finalidade de mudar o foco de pressão para outras áreas da face, que não o foco da fratura”, afirma.

Na prática, isso significa que, em uma eventual pancada, a força não se concentra diretamente sobre o osso que ainda está se recuperando. Parte dessa energia é distribuída para outras regiões do rosto.

“São feitas de fibra de carbono, material leve e resistente ao contato. A maior preocupação é isolar o local onde ocorreu a fratura. A máscara faz pressão em outros pontos para que não haja contato direto na região comprometida”, explica.

A neurologista Lorena Bochenek, do Hospital Mater Dei Goiânia, destaca que: “O principal mecanismo de ação da máscara é que ela funciona como uma barreira mecânica, distribuindo a energia de impactos leves e moderados por uma área maior da face, reduzindo a concentração da força exatamente sobre o osso lesionado. A máscara facial é uma excelente ferramenta para proteger uma fratura facial em consolidação e permitir retorno mais seguro ao esporte”.

Retorno mais cedo aos gramados

Esse tipo de proteção é mais comum em casos de fraturas nos ossos da face, como as que atingem a região da maçã do rosto, mandíbula ou nariz.

Ao oferecer uma barreira adicional, a máscara pode permitir que o atleta retorne aos treinos e às partidas antes da consolidação completa do osso, desde que a lesão esteja estável e sob acompanhamento médico. No entanto, isso não significa que o jogador esteja totalmente protegido.

Uma pancada mais forte ainda pode agravar a lesão ou provocar uma nova fratura. Por isso, o uso do equipamento costuma ser indicado apenas em fases mais avançadas da recuperação.

Além disso, a proteção não evita concussões cerebrais. Segundo o neurocirurgião Fabio Simões Fernandes, do Hospital Brasília, da Rede Américas, esse tipo de lesão ocorre quando o cérebro se movimenta dentro do crânio após um impacto ou desaceleração brusca.

“As máscaras de proteção facial não têm indicação na proteção de contusões ou concussões cerebrais. Essas máscaras diminuem o risco de fraturas na face, especialmente nos ossos da órbita, que abriga o globo ocular, e do nariz”, explica.

Equipamento já foi usado por outros jogadores

O uso de máscaras faciais não é novidade no futebol. Em outubro de 2019, por exemplo, o ex-lateral Rafinha sofreu uma fratura no osso zigomático esquerdo do rosto e precisou utilizar uma proteção semelhante durante a recuperação.

Nesta Copa, além de Cáceres, outro jogador que apareceu usando um equipamento de proteção foi o goleiro argelino Luca Zidane. No caso dele, o modelo possui formato diferente porque foi desenvolvido para proteger áreas ligadas à mandíbula e ao queixo.

Goleiro argelino é Luca Zidane durante partida contra a Argentina. Metrópoles
O goleiro argelino é Luca Zidane, filho do ídolo francês Zinedine Zidane

Já o atacante mexicano Raúl Jiménez utiliza outro tipo de acessório. Após sofrer uma grave fratura no crânio em 2020, ele passou a atuar com uma faixa protetora na cabeça. Embora tenha aparência diferente das máscaras faciais, o princípio é semelhante. O equipamento cria uma barreira adicional sobre uma região que já foi lesionada.

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