
Jet lag: fuso horário pode atrapalhar os jogadores na Copa, diz médico
Variação de horário e luminosidade entre fusos pode causar o jet lag. Problema pode reduzir funções essenciais e o desempenho do organismo

Viajar para jogar em outro país durante a Copa do Mundo pode ser empolgante, mas o organismo nem sempre acompanha a mudança de horário na mesma velocidade. Após cruzar diferentes fusos horários, muitos atletas enfrentam os efeitos do jet lag, condição que provoca alterações no sono, na disposição e até no desempenho físico.
O problema acontece porque o relógio biológico continua funcionando de acordo com o horário de origem, mesmo depois da chegada ao destino. A adaptação pode levar dias e varia conforme fatores como idade, hábitos de sono, estado de saúde e quantidade de fusos atravessados.
Por que o jet lag acontece?
O jet lag surge quando há um desencontro entre o relógio biológico e o horário local do destino. Esse sistema interno regula funções essenciais do organismo, como sono, fome, temperatura corporal e produção hormonal.
Segundo o clínico geral Guilherme Hanna, da Clínica Vittá Goiânia, o organismo costuma precisar de um período considerável para se reajustar completamente.
“Embora muitas pessoas consigam retomar parte da rotina rapidamente, o cérebro ainda leva alguns dias para sincronizar processos como sono, atenção e metabolismo ao novo horário”, explica.
Os sintomas mais comuns incluem sonolência durante o dia, dificuldade para dormir à noite, irritabilidade, fadiga, dores de cabeça e redução da concentração.
Quanto tempo dura a adaptação?
De acordo com o médico do sono Paulo Marsiglio, que atende em Brasília, existe uma regra prática utilizada para estimar o tempo de recuperação: cerca de um dia para cada fuso horário atravessado.
Viagens para o leste costumam ser mais desafiadoras porque exigem que o organismo adiante seu ritmo biológico. Já deslocamentos para o oeste tendem a ser melhor tolerados, pois atrasar o relógio interno geralmente é mais fácil.
“A maioria das pessoas percebe melhora progressiva dos sintomas nos primeiros dias, mas a adaptação completa pode levar até uma semana após viagens de longa distância”, afirma Marsiglio.
O especialista destaca ainda que cruzar cinco ou mais fusos horários costuma provocar sintomas mais intensos e duradouros, especialmente quando há compromissos profissionais ou esportivos logo após a chegada.
Como acelerar o ajuste do relógio biológico
Especialistas apontam que algumas estratégias ajudam a reduzir os efeitos do jet lag e acelerar a adaptação. A principal delas é a exposição adequada à luz natural, considerada o estímulo mais importante para regular o ritmo circadiano.
Além disso, ajustar gradualmente os horários de sono antes da viagem, manter boa hidratação, evitar excesso de álcool e cafeína e seguir rapidamente os horários locais de refeições e descanso podem facilitar o processo.
“O relógio biológico responde aos hábitos diários. Quanto mais cedo a pessoa adota os horários do destino para dormir, comer e se expor à luz, mais rápida tende a ser a adaptação”, orienta o médico do sono.
Para atletas e pessoas fisicamente ativas, a recomendação é evitar treinos intensos logo após a chegada. O período inicial deve priorizar recuperação, hidratação e descanso, reduzindo o risco de fadiga excessiva e queda de desempenho. Afinal, embora o jet lag seja temporário, seus efeitos podem impactar significativamente a saúde e a produtividade durante os primeiros dias da viagem.

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