Perda de dentes em idosos piora a saúde e aumenta o risco de morte

Pesquisa com mais de 8 mil pessoas idosas mostra que perder dentes rapidamente reflete fragilidade, pior nutrição e maior risco de morte

atualizado

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Imagem mostra dentistas discutindo e apontando para um raio X dos dentes - Metrópoles
1 de 1 Imagem mostra dentistas discutindo e apontando para um raio X dos dentes - Metrópoles - Foto: Luis Alvarez/Gettyimages

Por muito tempo, perder dentes com o passar dos anos foi visto como algo inevitável. Mas um estudo recém-publicado no periódico BMC Geriatrics mostra que essa crença está ultrapassada — a perda de dentes pode, sim, ser prejudicial à saúde. Ao longo de quase quatro anos, os pesquisadores acompanharam mais de 8 mil pessoas idosas e descobriram que aquelas que perderam dentes rapidamente apresentavam maior risco de morte por todas as causas.

Durante esse período, foram registradas 5.176 mortes (64,1%). No geral, o risco de mortalidade aumentou significativamente conforme a progressão da perda dentária se tornava mais rápida, mesmo após o ajuste de fatores como doenças crônicas e condições socioeconômicas.

A pesquisa mostra que a perda dos dentes pode ter profundos impactos psicológicos, prejudicando a saúde mental e aumentando o risco de morte. “A perda dentária vai muito além da estética. Ela compromete a mastigação e, consequentemente, a digestão e a absorção de nutrientes”, observa a cirurgiã-dentista Letícia Bezinelli, coordenadora da graduação em Odontologia da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein. “Quando o idoso não consegue mastigar bem, tende a evitar alimentos fibrosos, frutas e carnes, o que pode levar a desnutrição, perda muscular e piora da imunidade.”

Os prejuízos à saúde não param aí. A perda acelerada de dentes costuma gerar problemas graves na cavidade oral. Doenças bucais, como a periodontite, provocam inflamação sistêmica e crônica, que pode agravar quadros preexistentes de diabetes e doenças cardiovasculares.

“A inflamação bucal libera mediadores inflamatórios que aumentam o risco de aterosclerose, descompensação glicêmica e declínio funcional”, alerta a cirurgiã-dentista Fernanda de Paula Eduardo, coordenadora da pós-graduação em Odontogeriatria do Einstein. “Além disso, a perda dentária é um marcador de fragilidade e de pior estado nutricional, dois preditores independentes de mortalidade em idosos.” Segundo ela, quando o corpo perde a capacidade de regenerar e manter tecidos periodontais, pode ser indício de um envelhecimento biológico acelerado.

Medidas de prevenção

Apesar de ainda ser comum ver idosos com ausência de dentes, é possível ter um envelhecimento bucal saudável por meio de ações simples de prevenção: escovar os dentes, não fumar (nem o cigarro convencional nem o eletrônico) e visitas regulares ao dentista.

“Com higiene adequada, controle de placa bacteriana, dieta equilibrada, especialmente com redução do açúcar, e acompanhamento profissional, é possível manter todos ou quase todos os dentes ao longo da vida”, assegura Fernanda.

Um dos grandes desafios, porém, é mudar a percepção cultural de que perder dentes é algo natural da velhice. “Durante décadas, a odontologia foi associada apenas ao alívio da dor, e depois muito voltada à estética. Muitos idosos cresceram sem acesso a atendimento preventivo e acreditam que a perda dentária é parte natural do envelhecimento”, observa Bezinelli. “Hoje sabemos que isso é um mito: dentes podem e devem durar toda a vida.”

As especialistas defendem que a saúde bucal precisa ser incorporada às políticas públicas voltadas ao envelhecimento saudável. Isso inclui a presença de dentistas nas equipes de atenção primária, capacitação de cuidadores, programas de triagem em instituições de longa permanência e campanhas educativas. “Integrar a odontologia às políticas de envelhecimento saudável não é apenas uma questão estética, é uma estratégia de saúde pública e longevidade”, conclui a odontogeriatra.

Fonte: Agência Einstein

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