Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Saúde

Mascar chiclete pode ajudar a tirar música grudenta da cabeça

As músicas que mais grudam no cérebro são aquelas com melodias simples, refrões repetitivos, letras engraçadas e ritmo marcante

05/07/2026 02:00
Compartilhar notícia
Unsplash
Imagem colorida mostra mulher escutando musica - Metrópoles

Quem nunca ficou com uma música na cabeça o dia inteiro? Às vezes, não importa o que você faça: parece que aquele ritmo nunca irá sair da mente. No dito popular, o fenômeno é conhecido como música chiclete, enquanto na literatura científica é denominada de imagens musicais involuntárias. De acordo com especialistas entrevistados pelo Metrópoles, ele ocorre pois o nosso cérebro é capaz de reconhecer e prever padrões. 

As músicas que mais grudam são aquelas com melodias simples, refrões repetitivos, letras engraçadas e ritmo marcante e isso ocorre mesmo que elas tenham sido ouvidas uma única vez. A partir daí, um trecho “gruda” na cabeça, fica em looping,  e o cérebro tenta completar a frase ou resolver a tarefa inacabada. 

Receba no seu email as notícias de Ciência&Saúde

Frequência de envio: Semanal

Ver todas as newsletters

“Certas músicas trabalham combinando repetição e características de familiaridade. Quanto mais familiar é a música, mais se recrutam padrões que já estão prontos no nosso cérebro. Por isso, vemos que várias músicas hoje seguem um padrão e intercalam pequenas novidades para não ficar tudo repetitivo. Sabendo desse processo, o cérebro tende a completar os padrões que estão incompletos”, completa o neurocientista e professor Leandro Freitas Oliveira, da Universidade Católica de Brasília (UCB).

O neurologista Lucio Huebra explica que a “prisão” da música na mente ocorre quando há uma estimulação do córtex auditivo, a área cerebral responsável por receber, processar e interpretar as informações sonoras. Além disso, regiões ligadas à memória (hipocampo), à atenção (córtex pré-frontal), às emoções (amígdala) e ao circuito da recompensa (sistema límbico), também agem no processo.

Essa recordação ocorre especialmente em momentos monótonos, de baixa demanda cognitiva, como na fila de espera, ao dirigir, tomando banho ou em momentos de fadiga e estresse”, diz o médico do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Quais técnicas tiram a música chiclete da cabeça

Mas, é possível tirar as músicas chicletes da cabeça? Especialistas entrevistados pelo Metrópoles afirmam que sim. Entre as principais técnicas, estão:

  • Mascar chiclete, pois pode interferir na subvocalização – também chamada de voz mental – e bloquear a repetição da música no cérebro.
  • Escutar a música inteira, o que pode trazer a sensação de fechamento ao cérebro.
  • Escutar outra música com melodia marcante, porém o looping musical pode ocorrer novamente.
  • Mudar o foco para outra tarefa que exija atenção e concentração.

Huebra afirma que alguns estudos têm mostrado o potencial de mascar chiclete para livrar o cérebro de músicas repetitivas. “A ação pode interferir na programação motora articulatória, que é um dos componentes da construção da representação auditiva cerebral”, explica.

A música chiclete representa que o cérebro está funcionando

Pode parecer um defeito da nossa cabeça a música não sair da mente, mas, na verdade, a melodia chiclete é um sinal de que nosso cérebro está funcionando adequadamente. De acordo com Oliveira, a prova disso é que o processo envolve memória, atenção, emoções e imaginação auditiva. 

“Nós não apenas ouvimos a música, nós a reconstruímos internamente. Toda vez que escutamos uma música, estamos refazendo e reconstruindo essa experiência. As células trabalham para isso. E a música é, claramente, uma das formas mais potentes de memória que a humanidade consegue produzir. Ela une o som, a emoção, o movimento e uma característica de identidade pessoal”, aponta o neurocientista.

A ação só deve ser motivo de preocupação se passa a ser muito persistente ou causa sofrimento no indivíduo. “Nesses casos, é preciso investigar possíveis alterações neurológicas, a própria questão da perda auditiva, prejuízo do sono e outros aspectos envolvidos”, alerta Oliveira.